sábado, novembro 17, 2007

ROCK MELANCÓLICO SERVIDO COM ENERGIA

Em 2005 foram uma das boas surpresas da geração de bandas que revisitou o pós-punk ao longo desta década, servindo em "The Back Room" uma estreia convincente e auspiciosa, devedora de muitas refêrências incontornáveis - Joy Division, Echo and the Bunnymen - ainda que com com uma personalidade já denunciada.
Este ano, os Editors regressaram com "An End Has a Start", um digno sucessor que manteve o carisma de um projecto seguro, não alargando muito os seus horizontes musicais mas cimentando as boas impressões iniciais.

Estes dois registos constituíram o cerne do alinhamento de ontem no Pavilhão do Restelo, onde o jovem quarteto de Birmingham se apresentou pela segunda vez em Portugal após uma breve passagem pelo festival Super Bock Super Rock do ano passado.

Com uma rápida e pontualíssima entrada em palco (precisamente às anunciadas 22 horas), iniciaram o espectáculo com o tema de abertura do disco de estreia, "Lights", sendo imediatamente aplaudidos pelo público que aí preenchia já quase todo o recinto.

O vocalista Tom Smith, que em disco remete para a carga soturna de vocalistas urbano-depressivos da década de 80, exibiu uma vivacidade que contrastou com o tom melancólico da maioria das canções, e subiu para cima do piano logo aos primeiros minutos, gerando uma química com os espectadores que se manteve ao longo da quase hora e meia de concerto.

A banda satisfez tanto em momentos dinâmicos e épicos como "Bones" ou "An End Has a Start" como nos mais contemplativos e serenos "The Weight of the World" ou "When Anger Shows", perdendo pouco tempo com conversas com a audiência - embora Smith não tenha sido parco nos já tradicionais "obrigados" - e oferecendo uma rápida sucessão de temas, praticamente sem pausas, impondo um ritmo que só desacelerou em episódios de alguma monotonia como "Spiders".
Esta e algumas outras canções do segundo álbum, ainda que bem recebidas e muito aplaudidas, perderam na comparação com as do primeiro, que felizmente dominaram grande parte do repertório.

Singles certeiros como "Bullets" ou "Blood" despoletaram uma óbvia resposta emocional do público, e a magnífica "Munich", que ainda é a melhor canção do grupo, foi a responsável pelo pico de intensidade da noite, surgindo numa versão mais longa do que a do disco (sendo também das poucas que se diferenciou do original).

Entre passagens pelos dois discos hove ainda espaço para um inédito, "Banging Heads", e o lado-B "You Are Fading", ambos igualmente bem acolhidos, complementando uma sucessão de consistentes portentos de rock negro ora dançável ora medidativo.
Com uma actuação escorreita e empenhada, os Editors só não entusiasmaram quando a bateria e a guitarra eclipsaram o piano em demasiadas ocasiões, ou quando Smith procurou imitar os trejeitos vocais de Ian Curtis, algo de que não precisou nos discos e que ao vivo soou forçado e balofo, comprometendo o carisma de algumas canções. Não ameaçaram, no entanto, as reacções do público, sempre dedicado e atento, que acompanhou muitas vezes o vocalista e revelou-se um profundo conhecedor da discografia da banda.

A julgar pelo entusiasmo mútuo entre os espectadores e o grupo, os Editors têm carta branca para voltar a Portugal, e espera-se que caso o façam incluam no alinhamento "Camera", um dos melhores temas do primeiro álbum e uma das falhas de uma noite interessante e a espaços tão empolgante como a resposta dos espectadores sugeriu.

Antes do quarteto de Birmingham subir a palco, coube a Mazgani receber o público que foi chegando sem pressas. O músico iraniano, actualmente a residir em Setúbal, levou ao Pavilhão do Restelo o seu álbum de estreia, "Song of the New Heart", substituindo os previstos Boxer Rebellion. Durante pouco mais de meia hora, o cantor e a sua banda obtiveram uma quantidade assinalável de aplausos após uma actuação competente, vincada pela matriz singer songwriter que por vezes lembrou a angústia de um Nick Cave. Não sendo a primeira parte mais óbvia ara um concerto dos Editors, acabou por antecipar eficazmente o rock negro que se seguiu.

E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM


Fotos: Eduardo Santiago

5 comentários:

nImpossiblePrince disse...

Infelizmente nunca consegui ser grande apreciador das suas músicas, mas de certo que um dia poderei mudar de opinião. No entanto, acredito sim que tenha sido um bom concerto. Já li bons "relatos". :)

gonn1000 disse...

Acho que são uma boa banda, até agora ainda não me desiludiram. E acredito que haja uns quantos bons relatos a julgar pela histeria de algum público que lá estava.

H. disse...

Tive alguma pena de não ter ido mas já os tinha visto o ano passado e enfim, não há tempo nem dinheiro para tudo ;)

gonn1000 disse...

Nunca os tinha visto e pelo que me chegou do concerto no SBSR esperava um pouco mais deles ao vivo, mesmo tendo gostado (não acho que sejam muito melhores em concerto do que em disco, ao contrário, por exemplo, dos Interpol). E sim, o preço não era o mais convidativo.

Super Bock disse...

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