quarta-feira, setembro 06, 2006

ESTRANHAS LIGAÇÕES

Num período em que parte significativa do cinema norte-americano tem dedicado considerável atenção à conjuntura política e económica mundial dos dias de hoje, recuperando características de alguns thrillers da década de 70, "Syriana", de Stephen Gaghan, salienta-se como um dos títulos que adquiriu maior visibilidade.

Propondo um complexo (e frequentemente confuso) olhar sobre os bastidores da indústria petrolífera, da CIA, do terrorismo e das ligações entre o ocidente e o (médio) oriente, o filme tem tanto de ambicioso e pertinente como de falhado, perdendo-se numa narrativa demasiado fragmentada que deixa, não raras vezes, o espectador sem âncora, perdido entre tanta sobrecarga de informação.

Se Gaghan tem mérito por focar os conflitos de interesses que orientam as relações internacionais contemporâneas, nunca cedendo ao estilo histérico e tendencioso de um Michael Moore, apresenta contudo um objecto irregular já que intrincado argumento é de difícil absorção, bem mais do que o de "Traffic - Ninguém Sai Ileso", de Steven Soderbergh, outro filme mediático que o realizador/argumentista escreveu anteriormente e que lhe concedeu algum prestígio (como o comprova o Óscar de Melhor Argumento).

A vertente excessivamente cerebral do filme, embora o desequilibre, não impede que este se destaque como um objecto de interesse acima da média, sobretudo porque Gaghan é hábil no trabalho de câmara, apostando numa realização fluída de travo documental, acentuando um realismo que a fotografia de cores esbatidas ajuda a consolidar.
A direcção de actores é igualmente feliz, num elenco que inclui um seguro e envolvente Matt Damon, um ambíguo e intrigante Jeffrey Wright, um sinistro Christopher Plummer ou um sobrevalorizado George Clooney (numa interpretação competente mas inexplicavelmente vencedora do Óscar de Melhor Actor Secundário).

É pena que "Syriana" não chegue a ser o grande filme que estes recomendáveis atributos sugerem, pois apesar de duas ou três sequências muito fortes (a do filho da personagem de Damon ou todo o desenlace), o argumento não deixa que a película atinja o seu potencial, prejudicando-a com outras tantas cenas enfadonhas de interesse questionável e não explorando as personagens como estas mereciam. Espera-se, por isso, que o próximo trabalho de Gaghan seja uma película igualmente inteligente e adulta mas que dê espaço para o espectador respirar.
E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM

8 comentários:

Barão da Tróia II disse...

Já vi há uns anitos e concordo contigo é mesmo bom filme.

Anónimo disse...

É incrível como uma sucessão de textos consecutivos puramente vazios têm leitores

Lid disse...

É incrível como vc, Anônimo, aparece aqui para ler exatamente a esses "textos vazios". Vc deve gostar muito, não? E é incrível tb como há pessoas sem personalidades zanzando pela net tb, assim Anônimo e sem nome como vc!
;-)

gonn1000 disse...

Barão da Tróia II: Há uns anitos? Não é assim tão antigo, mas apesar de irregular acho que é bom, sim.

anonymous: Pronto, desmascaraste-me... Este blog é uma fraude, na verdade os leitores são todos (muito) bem pagos a peso de ouro, já estava na altura da verdade vir ao de cima...

Lid: Oh, não sejas assim, no fundo ele/a só quer é atenção :(

Mário Lopes disse...

Filme interessante, mas com um argumento e desenvolvimento da história demasiado confuso. É pena, porque a realização até é boa...

Abraço

gonn1000 disse...

Concordo, poderia ter ido mais longe mas mesmo assim ainda se recomenda. Fica bem :)

Knoxville disse...

Confuso e insonso demais. Não gostei nada e foi dos primeiros filmes que tive vontade de sair a meio. Sem ritmo nenhum, nem Clooney parece estar à vontade.

Cumprimentos Gonçalo. Ah e ainda não me pagaste o mês passado. Daqui a nada deixo de visitar o blogue :P

gonn1000 disse...

Se este te deu vontade de sair a meio, então imagino como reagirias a alguns que andam por aí...

Ah, e perdi o teu NIB outra vez :S
Desculpa, a sério, prometo que não volta a acontecer :(