sexta-feira, outubro 14, 2005

NÃO É SÓ GARGANTA...

Emblemático e influente, marcante não só dentro do seu género mas na história do cinema, “Garganta Funda” (Deep Throat), de Gerard Damiano, destacou-se no início dos anos 70 ao apresentar uma ideia de “argumento” atípica – centra-se numa mulher cujo clitóris se localiza na garganta -, tornando-se num inesperado fenómeno de culto, gerando acérrimos defensores e detractores e invadindo depois domínios mainstream, feito único para um filme pornográfico, especialmente tendo em conta a época em que foi gerado.

Disseminando-se pelos EUA, sendo exibido em salas de cinema convencionais (com um fortíssimo sucesso de bilheteira) e, posteriormente (quando a sua exibição foi proibida), propagando-se através de métodos mais marginais, “Garganta Funda” é assim o filme mais lucrativo de sempre, pois facturou mais de 600 mil dólares e a sua produção custou apenas 25 mil.

Mais de 30 anos depois, as repercussões desta obra peculiar ainda se fazem sentir, factor que motivou Fenton Bailey e Randy Barbato a analisarem os detalhes da sua criação e o impacto que originou.

No documentário “Dentro de Garganta Funda” (Inside Deep Throat), a dupla de realizadores evidencia que a aura que envolve o filme de proporciona múltiplos focos de interesse, interligando-se com diversas entidades e funcionando como um ponto de partida para uma reflexão acerca de algumas alterações sociais dos últimos anos, em particular a revolução sexual, o papel da mulher, o crescente culto das celebridades ou a hegemonia dos media.

Assim, por detrás das polémicas cenas de sexo oral praticadas por Linda Lovelace, “Garganta Funda” contém uma história conturbada, marcada por uma produção ligada à máfia (embora não se saiba exactamente até que ponto), motivações ideológicas revolucionárias (o realizador Gerard Damiano considerava-se um cineasta, agindo nas margens do sistema e trazendo sangue novo à sétima arte) e processos judiciais (os elementos da equipa, sobretudo o actor Harry Reems, quase foram condenados a penas de prisão devido à colaboração na película), devidamente exploradas no documentário de Bailey e Barbato.

“Dentro de Garganta Funda” sabe conjugar uma lógica de entretenimento com um cuidado carácter informativo, doseando eficazmente momentos lúdicos e sérios, cruzando opiniões e testemunhos não só de elementos da equipa que criou o filme mas também de nomes tão diferentes como o escritor Gore Vidal, os realizadores Wes Craven e John Waters ou a investigadora Linda Williams, entre outros (destaque também para o actor Dennis Hopper, responsável pela narração em off).

O documentário segue vários caminhos e nem sempre consegue explorá-los todos, mas o resultado final é suficientemente sólido, com assuntos bem trabalhados, montagem dinâmica e apelativa, banda-sonora adequada, ritmo escorreito e uma conseguida interligação de um saudável sentido de humor e de uma intrigante melancolia (desencadeada por fases nefastas que viriam a assombrar o rumo de um filmezinho imberbe e ingénuo).

“Dentro de Garganta Funda” pode não ser tão “revolucionário” como a película que o originou, mas é uma recomendável adição ao universo (cada vez mais alargado e mediático) do cinema documental.
E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM

14 comentários:

Spaceboy disse...

Uma das minhas grandes falhas! Ainda não vi nem o filme nem o documentário! Espero que os consiga ver nos próximos tempos...

S0LO disse...

Também ainda não vi nem uma coisa nem outra, apesar de ter ouvido falar por diversas vezes no assunto. A ver futuramente :)!

Abraços!

gonn1000 disse...

Spaceboy: Também não vi o filme, e tu ainda não tens idade para o ver :P

SOLO: Se te despachares ainda apanhas o documentário no cinema...

brain-mixer disse...

Só uma correcção: O filme mais lucrativo de sempre é outra pérola do (semi) documentário, Blair Witch Project ;)

gonn1000 disse...

Hmmm, mas vi em várias fontes que era este. De qualquer forma, obrigado pela nota.

nel colaça disse...

Reparem bem na banda-sonora deste filme, é fantástica e muito à frente.
Durante alguns anos, por coincidência ou não, as melhores bandas sonoras eram de filmes porno e eróticos!!! Durante os anos noventa editaram-se vários discos de gente que só fazia música para esses fins, e discos fabulosos.

Daniel Pereira disse...

Boring... documentário de pacotilha que poderia passar num canal da tv cabo. Este, sim, telefilme, Gonçalo.

gonn1000 disse...

Nel Colaça: Confesso que não conheço a banda-sonora do filme, mas já não és o primeiro a dizer bem dela...

Daniel Pereira: Estás a fazer confusão, o filme que deu origem ao documentário é que poderia passar em certos canais da TV Cabo :P

brain-mixer disse...

Nova correcção, retirado do IMDB sobre o BWP:

"This film was in the Guinness Book Of World Records for "Top Budget:Box Office Ratio" (for a mainstream feature film). The film cost $22,000 to make and made back $240.5 million, a ratio of $1 spent for every $10,931 made."

Pode ser considerado de uma outra categoria (mainstream VS porno?), é verdade que não podemos comparar estes dois filmes! :P

gonn1000 disse...

Não sei, até porque o "Grganta Funda" é um porno que se tornou mainstream LOL

brain-mixer disse...

Ah Ah! Mainstream sem restrições, hem?

gonn1000 disse...

LOL Também nem tanto, mas mainstream ainda assim, pelo menos durante algum tempo...

Scott Arthur Edwards disse...

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Anónimo disse...

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