quinta-feira, abril 07, 2005

OS ENCANTOS DA INDIE POP

Desde que Ben Gibbard, Nathan Good, Christopher Walla e Nick Harmer se juntaram em 1997 para formar os Death Cab for Cutie, têm vindo a consolidar uma sólida e interessante discografia, que conta já com quatro álbuns de originais.
Os trabalhos do grupo comprovam que o projecto é já um dos nomes seguros do rock alternativo norte-americano actual, e o seu disco mais recente, "Transatlanticism", de 2003, volta a acentuá-lo.

Melancólico, introspectivo e apaziguado, o álbum propõe uma absorvente combinação de indie rock, folk e dream pop, apresentando um sóbrio conjunto de canções vincadas por atmosferas primaveris e outonais.

Embora não traga nada de realmente original nem desbrave novos territórios, "Transatlanticism" contém um conjunto de temas coesos e cativantes, próximos de domínios trilhados pelos The Shins, Elliott Smith, Snow Patrol, Smashing Pumpkins (nos momentos mais intimistas) e mesmo Coldplay (mas com menos doses de acúcar).

Tal como nos registos anteriores, os Death Cab for Cutie proporcionam aqui um bom exemplo de indie pop agridoce, e o resultado é suficientemente emotivo e genuíno, convencendo e conquistando durante várias audições.

Para além de uma evidente sensibilidade na composição, um dos trunfos mais fortes do grupo é o vocalista Ben Gibbard, cuja voz possui um surpreendente equilíbrio de melancolia e candura, afastando-se de tons demasiado angustiantes e evitando também manobras de comoção fácil (o que pode ser comprovado não só nos trabalhos dos Death Cab for Cutie mas também nos dos brilhantes Postal Service).

O cardápio do disco inclui algumas pérolas indie como a contagiante e muito trauteável "The Sound of Settling", a discreta e apelativa "Lightness", a belíssima "Tiny Vessels" (onde Gribbard canta de forma envolvente frases como "She was beautiful/ But she didn't mean a thing to me") ou a sumptuosa faixa-título.

Apesar do nível qualitativo das composições descer ligeiramente nas suas últimas canções, "Transatlanticism" não deixa de ser um recomendável álbum, possuindo dois ou três momentos invulgarmente enternecedores. Bonito, denso e por vezes fascinante, merece ser escutado com atenção.
E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM

4 comentários:

FDV disse...

[acho que] nunca ouvi. vou procurar.

bom regresso.

cumprimentos.

gonn1000 disse...

Descobre-os que vale a pena :)

Obrigado.

Fica bem

Spaceboy disse...

Deles só conheço uma música (a que dá nome ao disco que falas), que ouvi na banda-sonora do «Six Feet Under» (que é aliás uma bela banda-sonora), e é um dos meus temas preferidos do disco.

gonn1000 disse...

Se gostas desse tema deverás gostar do álbum...E a BSO do "Six Feet Under" é realmente muito boa :)