sábado, agosto 13, 2005

A MINHA ESTAÇÃO PREFERIDA

Uma das boas surpresas do cinema independente norte-americano dos últimos anos, “A Estação” (The Station Agent) marca a estreia de Thomas McCarthy na realização e confirma que nem sempre é preciso trazer algo de ousado ou inovador para conseguir surpreender e conquistar.

Um olhar sobre o desencanto de um quotidiano rotineiro, as relações humanas, a esperança e a amizade, a película segue as peripécias do dia-a-dia de três personagens solitárias que encontram uns nos outros não necessariamente a solução, mas pelo menos uma via para combaterem a melancolia e amargura que caracteriza parte das suas vidas.

Finbar é um anão que, após a morte do seu melhor amigo, viaja para New Fountland, uma pequena localidade de New Jersey, onde passa a habitar uma estação de comboios abandonada que herdou deste. É nesse novo ambiente que trava conhecimento com Joe, um pacato e espirituoso dono de uma bar numa roulotte, e Olivia, uma mulher divorciada que tenta lidar com a morte do seu filho.

De alguma forma, estas três personagens foram marcadas por acontecimentos nefastos: Finbar é reservado e taciturno, receando relações próximas devido à constante humilhação a que é sujeito por ser anão; Joe não consegue fazer com que os que o rodeiam retribuam o altruísmo que irradia naturalmente; e Olivia é regularmente atormentada pelo sentimento de perda.
Aos poucos, o trio apercebe-se de que partilha mais semelhanças do que diferenças, e inicia uma amizade que expõe os melhores e piores traços de um considerável envolvimento emocional.

Thomas McCarthy proporciona uma primeira-obra simples e discreta, mas não banal, dando às personagens o destaque que estas merecem e convencendo sobretudo pela sólida direcção de actores, onde constam nomes pouco conhecidos, mas bastante talentosos, como Peter Dinklage (que compõe um complexo e intrigante Finbar), Bobby Canavale (muito credível como o cativante Joe) e Patricia Clarkson (que encarna uma Olivia tão absorvente como as suas participações em “Pedaços de uma Vida” ou na série “Sete Palmos de Terra”).

Se ao coeso elenco se acrescentar uma realização sóbria, um ritmo tranquilo, mas não enfadonho, e uma fotografia de apropriados tons secos e outonais, não se torna difícil de perceber porque é que “A Estação” foi uma das obras mais elogiadas de 2003, vencendo categorias no Festival de Sundance ou nos Independent Spirit Awards. Não é um filme revolucionário, mas é muito agradável, e evidencia que McCarthy é um realizador a ter em conta...

E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM

6 comentários:

Kraak/Peixinho disse...

Perdi este filme :( Agora tenho ke ir sacar o dvd se o quiser ver. Bah.

Hugzz da minha estação preferida

gonn1000 disse...

Apanha-o se puderes, acho que não darás o tempo por perdido...

Hasta ()

Paulo disse...

Cheguei a comentar este no meu blog. É, como dizes, uma excelente surpresa e um dos melhore sa estrear por cá o ano passado. Uma deliciazinha :-)

gonn1000 disse...

Sim, vale a pena descobrir o DVD e dar uma espreitadela...

Anónimo disse...

gostei bastante !!!

gonn1000 disse...

É difícil não gostar :)