domingo, outubro 24, 2004

PEDAÇOS DE UMA DISCOGRAFIA

Os Magnetic Fields regressaram a palcos nacionais na passada quarta-feira e apresentaram não só temas inéditos do recente álbum "i", mas também canções mais antigas. A Aula Magna foi o centro dos acontecimentos.

Merecedores do respeito e aplauso da crítica especializada devido, sobretudo, ao incensado "69 Love Songs", de 1999, os Magnetic Fields já editaram entretanto um novo disco, "i", no início de 2004. A banda de Stephin Merrit (o carismático vocalista/compositor que, também criou, recentemente, a banda-sonora do filme "Pedaços de Uma Vida - Pieces of April") proporcionou um concerto que, ao contrário do que talvez muitos esperassem, não se baseou tanto no álbum mais recente mas antes aproveitou para recuperar algumas canções quase esquecidas.

Apesar de ser um grupo com um fiel público em território luso, parte da obra dos Magnetic Fields era, no entanto, praticamente desconhecida, uma vez que os primeiros discos da banda (do início dos anos 90) só muito recentemente tiveram edição nacional. Assim, a noite de dia 20 foi marcada pela apresentação de algumas canções quase esquecidas, como "Born on a Train", "All The Umbrellas In London" ou "Smoke and Mirrors".

Contrariamente às influências electro/synth-pop que dominam alguns dos discos da banda, o concerto não contou com a influência digital, decorrendo de forma simples, sóbria e com sonoridades acústicas. Já no recente disco "i" se manifestava uma considerável presença do piano e do violoncelo, e o concerto confirmou essa tendência. Ainda assim, a fusão folk/pop/country e a combinação das vozes de Stephin Merrit e Claudia Gonson conseguiram gerar momentos contagiantes como a subtil "I Don`t Believe You", a carismática "All My Little Words" (um dos temas mais emblemáticos de "69 Love Songs"), a cativante "If You Don`t Cry" e, sobretudo, a irresistível pérola "I Thought You Were My Boyfriend" (uma das melhores composições de "i").

Confirmando o talento para a criação de canções que oscilam entre ambientes de dor amorosa, algum desespero, doses q.b. de ironia e paisagens melancólicas (mas não depressivas), os Magnetic Fields proporcionaram uma noite de atmosfera agridoce, alternando entre episódios apelativos (com destaque para o afável e bem-disposto contacto com o público) e aspectos não tão bem conseguidos (competente e profissional, a actuação raramente ofereceu, no entanto, momentos arrebatadores).

Mesmo sem a presença de algumas temas "obrigatórios" (como "I Think I Need A New Heart"), contando com uma atmosfera demasiado apaziguada (apesar de agradável) e terminando com um "encore" que soube a pouco, os Magnetic Fiels apresentaram hora e meia de boas canções numa Aula Magna consideravelmente preenchida.

Para registar, ficam memórias de um sóbrio concerto que poderia ter ido mais longe e que não possuiu a carga de ousadia de um título como "69 Love Songs".
Nota: a foto não é desse concerto, mas como não pude levar máquina fotográfica tirei uma do site da banda...
E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM

2 comentários:

Scott Arthur Edwards disse...

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