sexta-feira, abril 28, 2006

NADA A DECLARAR

“Longing” (Sehnsucht), a primeira longa-metragem de Valeska Grisebach, tem sido um dos filmes mais elogiados do cinema independente alemão dos últimos tempos, mas ao vê-lo não se percebe muito bem o motivo da aclamação.

Seguindo o dia-a-dia de um jovem mecânico dos arredores de Berlim, a película é uma ficção, por vezes próxima do documentário (pelo modo realista como capta o quotidiano de pequenas localidades e dos seus habitantes) centrada num triângulo amoroso, constituído pelo protagonista, a sua namorada e uma mulher que este conhece numa das suas missões como bombeiro voluntário.

Supõe-se que Grisebach tenta fazer do filme um introspectivo e plácido ensaio sobre a infidelidade, a falta de comunicação e a carência emocional, mas não basta filmar as personagens a trocar abraços e juras de amor, de forma agridoce mas pelo menos não enjoativa, para que esse retrato das relações amorosas seja especialmente marcante.

Mesmo que ocasionalmente a realizadora gere um ou outro momento onde a cumplicidade dos casais é bem traduzida, essas fugazes cenas não compensam a quase nula tensão dramática que o filme apresenta.
Contemplativo e caracterizado por longos silêncios – os diálogos são curtos e escassos -, “Longing” talvez pudesse ter algum interesse enquanto curta ou média metragem, mas Grisebach não parece ter muito a dizer e torna injustificáveis (e bastante enfadonhos) os seus 90 minutos de duração.

Os actores não-profissionais não ajudam, pois embora os seus desempenhos não sejam desastrosos também não conseguem conceder complexidade às suas personagens, que se tornam banais e pouco estimulantes.
Mais inócuo do que propriamente indigesto, “Longing” vê-se com algum esforço mas em contrapartida esquece-se com facilidade.
E O VEREDICTO É: 1/5 - DISPENSÁVEL

4 comentários:

Mário Lopes disse...

Cheguei a ponderar ir ver este...

Abraço

gonn1000 disse...

Mas acabaste por ser perspicaz lol

Flávio disse...

Algum germanófilo que me corrija se eu estiver errado, mas essa ideia da palavra 'saudade' ser uma singularidade portuguesa é uma treta. 'Sehnsucht' significa exactamente o mesmo em alemão.

gonn1000 disse...

Pois, na ficha do filme vi que um dos títulos era mesmo esse, "Saudade" :S