sexta-feira, maio 06, 2005

UMA ESTADIA MEDIANA

Após permanecer numa quase total obscuridade durante a década de 90, com discos que eram conhecidos por poucos mais do que um público de faixas alternativas, Moby viu-se subitamente em contacto com o sucesso global através do multiplatinado "Play" no início do novo milénio, álbum que lhe possibilitou uma meteórica subida nos tops de vendas.

Divulgado até à exaustão com a rodagem dos múltiplos singles nas rádios, em filmes e em anúncios publicitários, esse marcante registo apresentou-o a um público mais vasto e tornou-o num dos artistas mais mediáticos do momento.

"18", o disco sucessor, continuou a apostar na fórmula vencedora - ambientes electrónicos, forte recurso a vozes sampladas, melancólicas atmosferas soul/gospel - e não demonstrou grandes tentativas de inovação, sendo talvez o trabalho menos ousado do músico até à data. Ainda assim, as vendas foram satisfatórias, e esperava-se com alguma expectativa um novo disco do "little idiot".

"Hotel", de 2005, assinala o regresso de Moby e é mais uma proposta marcada por sonoridades amenas e apaziguadas, apostando em composições maioritariamente downtempo mas que, desta vez, dispensam o apoio dos samples, um forte aliado dos registos anteriores do músico.

As canções mergulham em domínios tranquilos e contemplativos, ocasionalmente suportadas pela agradável voz de Laura Dawn, suficientemente agradável e enleante. Moby é também um dos vocalistas do disco, interpretando grande parte dos temas, ainda que com menor brilho e eficácia, comprovando a sua escassa versatilidade vocal.

Intimista e por vezes acolhedor, "Hotel" é, no entanto, um álbum pouco ambicioso e inventivo, percorrendo territórios já explorados e familiares q.b.. Oscilando entre baladas algo indistintas ("Dream About Me", "Love Should") e momentos rock demasiado convencionais ("Beautiful", "Raining Again"), o disco raramente ultrapassa uma preguiçosa mediania, nunca chegando a apresentar Moby no seu melhor.

Há boas canções, casos da melódica "Where You End" ou do promissor instrumental "Hotel Intro", a par de interessantes aproximações a referências incontornáveis como os New Order (através de uma versão minimalista de "Temptation"), David Bowie ("Spiders") ou mesmo Tricky (cuja sonoridade não anda muito distante do trip-hop sedutor de "I Like It").

Contudo, como um todo "Hotel" é redundante e sonolento, contendo composições lineares (tanto na música como nas letras), limitando-se a repetir ideias já trabalhadas e expondo um músico cada vez mais rotineiro e igual a si mesmo. É certo que ainda está um pouco acima de muitos subprodutos com os quais convive regularmente na MTV e aparentados, mas é excessivamente previsível vindo de alguém que já provou ser capaz de criar música estimulante. Um "Hotel" de duas estrelas (e meia), portanto, que serve para passar uma noite sem grandes inquietações mas que não ficará como uma das mais memoráveis.

E O VEREDICTO É: 2,5/5 - RAZOÁVEL

10 comentários:

O Micróbio disse...

Tenho o album lá em casa e ainda não o ouvi...

Pinko disse...

Tambem ainda n o ouvi... tambem n fiquei com mta vontade de o ouvir. Acho que vou esperar pelo concerto e ai sim, se as novas musicas me convencerem dedico algum do meu tempo ao disco. A ver vamos.
Um abraço.

pedribeiro disse...

Já ouvi o tanto o "18" como o "Hotel" e realmente a prestação de Moby fica um tanto a desejar. Se as faixas estivessem mais arrumadas, nem se notaria a passagem das mesmas, pois existem conjuntos com os mesmos ritmos que não passam despercebidos.
Mesmo assim torna-se um album bom de ouvir, especialmente em "background" pois continua um "Moby" muito melódico. Excepto naquelas faixas mais "rockeiras".
Acho que merecia talvez um pouco mais, até porque pelo menos mantém o nível.

gonn1000 disse...

Micróbio: Também não me parece uma prioridade...

Pinko: Apesar de não ter achado o disco nada de especial, também tenho algum interesse no concerto. A ver vamos...

Pedribeiro: Sim, como música de fundo até é apropriado, já que é minimente agradável e não tem nada que se saliente muito...

Joana C. disse...

apesar de não ser tão bom como os antecessores "Play" e "18", acho que é um bom álbum. gostei da mudança de sonoridade do Moby, do maior uso de guitarras e dos temas mais intimistas. 7/10 na minha opinião ;)

gonn1000 disse...

Eu continuo a achar que Moby é capaz de melhor, como aliás já o provou no passado...

Spaceboy disse...

Também acho que este «Hotel» é um album medio, mas a cair pro desagradavel. So o single «Lift me up» é das piores coisas que ouvi este ano, o resto do cd tem algumas coisas aceitaveis, tenho pena que seja assim porque gosto muito do «Play»...

gonn1000 disse...

Acho o single eficaz, mas demasiado formatado, e não tem muito a ver com o resto do disco...

S0LO disse...

Não concordo com a nota que lhe deste...acho que merecia no mínimo um 3,5 mas respeito a tua opinião :). O "Play" continua de facto a ser o melhor album dele.

Cumprimentos cinéfilos

gonn1000 disse...

Tem algumas boas canções, mas no geral é mediano. Enfim, gostos...

Cumprimentos cinéfilos (e musicais)