terça-feira, junho 26, 2007

GOLPE BAIXO

Há quem defenda “Ocean’s 13” suportando-se nos créditos de Steven Soderbergh, artesão camaleónico que tem cimentado uma filmografia assente numa multiplicidade de registos. Deve-se a ele a coolness que afasta este de muitos outros blockbusters de Verão, em parte pelo seu aprazível trabalho de realização, com enquadramentos imaginativos que não caem na monotonia; pela banda-sonora de David Holmes, que se conjuga eficazmente com as imagens; e claro, pelo elenco, um autêntico who’s who de algumas das caras mais carismáticas de Hollywood.

Ora, se todos estes elementos podem ser contributos valiosos para que daqui saia um filme pelo menos interessante, “Ocean’s 13” acaba por ser um lamentável tiro ao lado, já que apenas desperdiça recursos e nem sequer consegue oferecer os mínimos de entretenimento. Nada que não pudesse apontar-se já ao título que iniciou a série, “Ocean’s 11”, seguramente um dos mais sobrevalorizados dos últimos anos; e ao segundo regresso a saga mostra que é um claro exemplo onde o estilo esmaga a substância, e o que no primeiro filme poderia aceitar-se como relativamente refrescante descarrila aqui para um frustrante modo de piloto automático.

Ao contrário do que o percurso “autoral” de Soderbergh poderia sugerir, “Ocean’s 13” é um daqueles produtos que contribui para que os blockbusters sejam encarados com desconfiança por muitos, objectos rasos e preguiçosos, tendencialmente esquecíveis. Não vem nenhum mal ao mundo do facto deste ser um filme leve e despretensioso, mas à medida que a acção se vai desenrolando a falta de chama vai sendo cada vez mais evidente, não havendo entusiasmo nem na narrativa nem nos actores.
Destes, Clooney e Pitt trocam algumas linhas de diálogo razoavelmente divertidas, o problema é que já seriam poucas para sustentar um sketch e mostram-se ainda mais insuficientes para que se aguente todo o filme sem olhar para o relógio. De resto, todos os actores parecem apenas figurantes e mal chegam a ser esboçadas caricaturas, tanto que ao pé disto um filme de Michael Bay é um prodígio de construção de personagens e densidade dramática (agora a sério, o maltratado “A Ilha” é francamente superior a este banal heist movie).

Dizer que o argumento é esquemático talvez seja um eufemismo, uma vez que o filme propõe uma história de vingança, desprovida de qualquer intensidade, em que o gang de Danny Ocean sabota a inauguração de um casino. Soderbergh não resiste a debitar todo o plano dos protagonistas, perdendo largos minutos em estratégias fastidiosas que apenas entopem a narrativa e debilitam o ritmo, e nem as novas presenças do elenco, Al Pacino e Ellen Barkin, trazem especiais mais-valias, sujeitando-se ao papel de marionetas da acção.

Em última instância, a campanha de marketing sustentada nos muitos nomes mediáticos faz com que tudo valha a pena para a equipa do filme, já que o interesse artístico de “Ocean’s 13” é inversamente proporcional ao comercial. Só é pena que, nesse processo, um espectador com alguma exigência esteja sujeito a ficar de fora.

E O VEREDICTO É: 1,5/5 - DISPENSÁVEL

11 comentários:

Anónimo disse...

podemos sp confiar em ti p a pior escrita do mundo e p os títulos mais horríveis de sp cm é q alguém cm tu consegue acesso a visionamentos p imprensa e a bilhetes p concertos é 1 dos grandes mistérios d mundo moderno e só mostra cm o nosso é um país q recompensa fortemente a mediocridade

gonn1000 disse...

Caro anónimo, mediocridade maior é, por exemplo, atirar críticas para o ar sem sequer ter coragem para assinar o que escreve. E a dor de cotovelo também não é uma característica lá muito recomendável. Bons filmes (e o "Ocean's 13", já viu?).

Anónimo disse...

quem és tu p dizer o q é medíocre ou ñ qd nem deves ter 1 espelho em casa? eu posso identificar-me, mas tu continuarás sp a ser um perfeito idiota q escreve banalidades d 1 forma completa/ horripilante

gonn1000 disse...

Bem, não devo ser só eu que identifico a mediocridade, já que você diz que o país a recompensa. O que escrevo aqui é só uma opinião, enquanto espectador tenho direito a pronunciar-me acerca de um filme, não?
E continuo a não ver identificação que se responsabilize por esses insultos gratuitos, parece coisa de quem não gosta do que encontra quando se vê ao espelho.

Roberto Queiroz disse...

Acredito que o grande problema do diretor Steven Soderbergh é que ele dirige filmes demais um atrás do outro (o que acaba desgastando suas produções muito rapidamente). Ele deveria dar mais tempo de intervalo entre um filme e outro. Veja o caso agora das duas produções que ele realizará sobre a vida do Che Guevara. Esses são projetos ambiciosos que não se realizam no prazo de um ano (precisa de mais tempo para seres definidos da forma correta). Se bem feitos, podem ser sua consagração definitva dentro da indústria. Já quanto a Treze Homens e outro segredo, já deu, né? a trilogia acabou... Agora bola pra frente. E, por favor, vamos trabalhar menos com o George Clooney e valorizar outros artistas (gente bem melhor até do que ele!).

(http://claque-te.blogspot.com): As VIrgens Suicidas, de Sofia Coppola.

gonn1000 disse...

Talvez seja esse o problema. Até tenho alguma admiração por ele, não por gostar muito da maioria dos seus filmes mas porque é dos cineastas actuais que mais arrisca, ainda que nem sempre seja bem sucedido.
Quanto ao Clooney, não vejo problemas em futuras colaborações, embora ache que tem mais carisma do que talento interpretativo.

Carlos Pereira disse...

Gosto imenso de Soderbergh (Traffic, Solaris, The Good German), mas este Ocean's Thirteen é, na minha opinião, apenas um dispensável exercicio de estilo.

Grande abraço Gonçalo ;)

Paulo disse...

Pois... não podia concordar mais. Acredito que Soderbergh, equipa e elenco se divirtam a valer com esta série de filmes, mas depois do primeiro, não consegui gostar do que se seguiu.

Já agora, é de saudar a coragem de mais um Anónimo a mandar postas de pescada completamente banais e ridículas como se tivessem algo enfiado no recto. É da maneira que me fazem rir um bocado, nem que para isso se limitem a fazer figura de anormais.

Abraço, Gonçalo!

gonn1000 disse...

Carlos Pereira: Pois, não se pode acertar sempre, mas pelo menos podiam esforçar-se um bocadinho. Fica bem :)

Paulo: Acredito que se divirtam a fazer o filme, já que não têm muito para fazer e deve ser compensador...
E sim, o que seria de nós sem um anónimo amuadinho de vez em quando? Esses sim, são uma boa comédia :)

Ricardo disse...

Ahhh! Tava a ver que era o único a achar este um perfeito disperdicio de bons actores e de tempo... o meu tempo na sala de cinema. Um abraço, vou te meter nos meus links que por incrivel que parece não sei como não estás lá!

gonn1000 disse...

Sim, isto é filme para tarde no sofá num sábado à tarde e mesmo assim o sono é capaz de se impor.
Obrigado :)