segunda-feira, junho 06, 2005

O FUTURO COMEÇOU AQUI...

Ansiosamente aguardado há meses por uma considerável legião de fãs, o concerto de Billy Corgan na Aula Magna, no passado dia 1, teve a particularidade de ser o inaugural de uma digressão onde o ex-elemento dos Smashing Pumpkins e dos Zwan apresentará ao vivo o seu primeiro disco a solo, "TheFutureEmbrace".

Autêntico espectáculo de culto, foi um apropriado momento para conhecer as canções do disco do músico e os seus novos rumos mas, ao contrário do que alguns esperavam, não houve espaço para nostalgias, ou seja, Corgan não revisitou temas dos seus projectos anteriores.
De resto, também não foi necessário, uma vez que a apresentação das suas composições a solo não poderia ter tido uma recepção mais calorosa, já que os espectadores presentes comprovaram que o público português quando gosta, gosta mesmo, e não hesita em demonstrá-lo.

Acompanhado por mais três elementos - Brian Liesegang, Matt Walker e Linda Strawberry - e contando com um intrigante trabalho a nível visual, com instrumentos de design sofisticado e um esplêndido painel onde foram projectadas imagens psicadélicas, Billy Corgan foi recebido com inúmeros aplausos e gritos desde o momento em que as luzes se apagaram para dar início ao concerto, num auditório repleto de fãs devotos.

Raramente exibindo traços da efervescência rock dos Smashing Pumpkins ou dos contornos poppy dos Zwan, as novas canções do cantor/compositor enveredaram antes por uma amálgama de domínios industriais, electro e góticos, com uma sonoridade retro-futurista que não escondeu influências dos New Order ou dos The Cure, embora devidamente ancoradas no presente.

Alternando temas vibrantes com outros mais apaziguados, o concerto exibiu um cardápio sonoro interessante, mas um pouco irregular, pois algumas canções (poucas, felizmente) não estiveram à altura daquelas a que Corgan nos habituou ao longo dos anos.
A espaços, a peculiar voz do cantor foi mesmo colocada em segundo plano, uma vez que era quase imperceptível no meio da densa teia de sons. Contudo, momentos como "Strayz" - que o cantor interpretou a solo - permitiram privilegiar a sua singularidade vocal.

O primeiro single "Walking Shade", a muito conseguida "A100" ou outras canções como "M.O.H.", "I'm Ready" e "Now and Then" foram amplamente aplaudidas por um auditório em delírio, e embora não estejam ao nível dos Smashing Pumpkins no seu melhor conseguem ser suficientemente entusiasmantes, gerando ainda mais expectativa em torno de "TheFutureEmbrece".

As versões de "To Love Somebody", dos Bee Gees (!), e de "It’s a Long Way to the Top", dos AC/DC (esta com um apetitoso travo a Nine Inch Nails), foram outros dos pontos altos da noite, a par do breve momento em que os músicos tocaram alguns acordes do muito amado "Today", um dos temas mais emblemáticos do saudoso "Siamese Dream".

Regressando ao palco para dois encores, Billy Corgan e os seus colaboradores foram alvo de mais uma fortíssima expressão de devoção, onde grande parte do público da Aula Magna os aplaudiu de pé. O ex-Smashing Pumpkin, sempre afável, despediu-se do público e cumprimentou muitos dos espectadores da primeira fila do auditório, presenteando assim mais uma prova de fidelidade dos fãs nacionais.

Para recordar fica um bom espectáculo, soberbo na concepção visual mas um pouco desigual na selecção musical, proporcionando três ou quatro canções demasiado mecânicas, frias e arrastadas. Ficará, mesmo assim, como um das boas memórias sonoras de 2005.

Antes da actuação de Billy Corgan coube aos norte-americanos Gliss aquecer o palco, tarefa desenvolvida com arrojo e competência. Praticando um rock alternativo próximo dos Black Rebel Motorcycle Club ou dos The Raveonettes, o trio assegurou uma eficaz apresentação de algumas das suas canções.
Os elementos do projecto trocaram de instrumentos - guitarra, bateria e baixo - ao longo da sua prestação, e mesmo sem serem especialmente surpreendentes foram sempre eficazes, com um vocalista a lembrar um curioso cruzamento vocal entre Chris Corner, dos Sneaker Pimps, e Tim Vanhamel, dos Millionaire. Um projecto promissor a ter em conta...

E O VEREDICTO É: 3,5/5 - BOM

12 comentários:

Spaceboy disse...

Ora nem mais! Um bom concerto, apesar dalguns momentos mais fracos, mas no final teve um saldo bastante positivo.

gonn1000 disse...

Pois é, e faz ver a muita gente que os Smashing Pumpkins não eram só o Billy Corgan...

LilyStrange disse...

já dito pelo próprio, a música de smashing pumpkins resultava por toda aquela química entre os 4 pumpkins - d'arcy, james, jimmy e billy. p isso é que não resultava com mais ninguém, p isso é q n resultou c o matt walker, p exemplo.

e o billy tava doente no dia do concerto. doente e nervoso.

e o album é um espectáculo. é mesmo muito bom, mas é claro que mt gente vai querer ouvir a mm sonoridade q ele fazia nos pumpkins...


agora lembrei-me... quem é que fez o siamese dream todinho, só c o butch vig, basicamente? talento não falta a este senhor Billy Corgan

gonn1000 disse...

Ainda não ouvi o álbum, mas tenho alguma expectativa...

"agora lembrei-me... quem é que fez o siamese dream todinho, só c o butch vig, basicamente? talento não falta a este senhor Billy Corgan"

Eheh...Sim, mas o Butch Vig não é um produtor qualquer. E não coloquei em causa o talento do Corgan, só achei exagerado o "endeusamento" do cantor/compositor no concerto...

Spaceboy disse...

Eu acho que os Pumpkins eram apenas o Billy e agora que ele está a solo, quis mostrar que saber fazer mais coisas. O album esta bom, mas tem la 3 musicas que sao dispensaveis, mas é um bom album, sem duvida, mas não consegue alcançar a genialidade dos pumpkins (mas pedir isto era pedir o impossivel...)

gonn1000 disse...

Também não estou à espera de um disco ao nível dos melhores dos Pumpkins, mas se for tão bom como o "Machina" já vale a pena...

LilyStrange disse...

acho melhor o thefutureembrace do que o machina. eu não gosto mt do machinaI, sinceramente... é de todos os aluns de pumpkins o que ouço menos

gonn1000 disse...

O "Machina" é o mais fraco deles, mas ainda tem 3 ou 4 grandes momentos (e é bem melhor do que o álbum dos Zwan)...

gravepisser disse...

O Pisces Iscariot é que é muito ignorado:( Tenho 1 admiração profunda por ele e considero-o mais equilibrado que o Machina, do qual também gosto muito.

gonn1000 disse...

Pois, geralmente os maiores elogios vão para "Mellon Collie (...)" e "Siamese Dream". O meu preferido, no entanto, é mesmo o "Adore", que tal como "Pisces Iscariot" é um disco subestimado...

Ana Teresa disse...

Epá, até posso tar a fazer um juizo de valor muito precipitado, mas tou no meio de fans de Pumpkins n?? Também eu sou (ou fui) mas consigo ter uma visão objectiva do concerto do passado dia 1. Não é com o painel todo bonitinho e meia duzia de instrumentos futuristicos ke se faz um grande concerto! é principalmente com grandes momentos e se neste concerto esses momentos aconteceram foi graças á participação do publico ke idolatra o artista em causa! a sensação ke fikei depois de assistir ao concerto é ke se o billy cantasse meia duzia de cançõesitas fracas , o publico reagiria da mm forma! Corgan tem a particularidade de consguir comunicar sem palavras e isso é uma caracteristica ke joga sempre a favor dele, mas musicalmente falando ( e é disso ke se tratam os concertos) foi muito fraquinho. quando os pontos altos são as versões e 2 ou 3 acordes do Today, algo está errado na carreira do Billy. é optimo que tenha mudado a sonoridade, outra coisa não se esperava, é mau, ke tenha eskecido todas as oportunidades musicais ke se lhe apresentavam no adore.

gonn1000 disse...

Concordo em parte. O Billy podia ter cantado a "Macarena" que o público aplaudiria, mas não acho que tenha sido um mau concerto, e considero "TheFutureEmbrace" um disco interessante (que fica a milhas do "Adore", é verdade, mas ouve-se bem). Se calhar as tuas expectativas é que eram demasiado elevadas (e percebe-se porquê...). Fica bem e vai aparecendo :)