sexta-feira, agosto 19, 2005

ELA É SÓ UMA RAPARIGA

Após ocupar durante anos a função de vocalista dos No Doubt, Gwen Stefani faz um hiato na colaboração com a banda para apostar num projecto paralelo, o seu percurso a solo. “Love.Angel.Music.Baby”, editado em finais de 2004, assinala a estreia em nome próprio, mas embora a cantora não conte aqui com o apoio da banda que a levou à fama recorre a uma vasta lista de colaboradores, onde se incluem Dr. Dre, the Neptunes, Linda Perry, Dallas Austin, Andre 3000 (dos Outkast), Nellee Hooper, Jimmy Jam & Terry Lewis e Tony Kanal (dos No Doubt).

Dando continuidade à ecléctica vertente fusionista presente no mais recente álbum dos No Doubt, “RockSteady”, Gwen Stefani apresenta um combinado de power pop, funk, new wave, hip hop, electro e R&B, enveredando por atmosferas sonoras geralmente dinâmicas e dançáveis.

Com uma produção minuciosa e sofisticada – outra coisa não seria de esperar tendo em conta a lista de colaboradores -, “Love.Angel.Music.Baby” não é tão sólido na composição, uma vez que o nível qualitativo das canções é tão desigual como os dos discos da banda da cantora.

Se por um lado a maioria dos temas são acessíveis, imediatos e facilmente trauteáveis, raros são os que ultrapassam a mera competência industrial e menos ainda os que deixam transparecer alguma substância por detrás do cuidado trabalho de maquilhagem, que tenta esconder os desequilíbrios da limitada voz de Stefani e das letras algo irrelevantes (embora tentem ser fashion, nomeadamente através de recorrentes referências japonesas ou à cultura urbana).

Outro problema é o facto de “Love.Angel.Music.Baby” ser um álbum que, ao tentar ser diversificado, acaba por se tornar demasiado fragmentado, e exibe mais os traços característicos dos colaboradores do que propriamente os da cantora, que não consegue definir aqui uma linguagem própria e vincada.
Assim, entre batidas hip-hop e sintetizadores de travo electropop, o disco resulta num trabalho algo indeciso, gerando um melting pot irregular que se aproxima de Madonna (a influência mais óbvia), New Order (que recusaram uma propsta de colaboração no disco), Missy Elliot, Garbage, Prince ou Blondie, mas com a desvantagem de, ao contrário dessas referências, não apresentar nada de novo.

Nem muito inspirada nem desastrosa, a estreia de Gwen Stefani a solo proporciona alguns bons momentos quando percorre sonoridades marcadas pelos anos 80, como em "Crash", “The Real Thing”, “Serious” ou “The Danger Zone” (provavelmente o ponto alto), mas não é tão interessante quando se aproveita dos clichés do R&B actual como em "Luxurious" ou nos cansativos singles “Rich Girl” ou “Hollaback Girl”.

Não resultando como um todo, mas ainda assim convencendo a espaços, “Love.Angel.Music.Baby” é um agradável - mas longe de irresistível - party album, que não chega ao nível dos discos de Madonna (embora tente) mas consegue ser mais entusiasmante do que os de outras figuras da pop mainstream apadrinhadas pela MTV, como Britney Spears, Pink ou Jennifer Lopez. Uma estreia curiosa a merecer algumas audições, de preferência em ambientes festivos.

E O VEREDICTO É: 2,5/5 - RAZOÁVEL

20 comentários:

Kraak/Peixinho disse...

Gonn? :P (Tss tss tss)

Hugzz

gonn1000 disse...

Nah, não vais reclamar, não me faças dizer o que acho dos Train ou dos Lifehouse :P

Kraak/Peixinho disse...

LOLOL! Express yourself! Já admiti a cena dos Train :P

Hugzz

gonn1000 disse...

"Express Yourself"??? Mas isso é da Madonna, não da Gwen, estás no post errado :P

Kraak/Peixinho disse...

Naum é isso :P É para poderes dizer mal à vontade! LOL, isto parece um chat! Hahaha.

gonn1000 disse...

Mas afinal fiquei foi sem perceber se gostas ou não do disco LOL

João M disse...

A minha preferida é a "Serious". A remistura do Jacques Le Conte para o "what you wainting for" é lírica.
hug.

kimikkal disse...

Bem resumido: é um "party album" para abanar o esqueleto

Pedro Quintino disse...

Como um álbum Pop cumpre o seu objectivo, mas (também) penso que é demasiado polido, e há demasiadas pessoas nele envolvidas. Isso tira-lhe algum crédito, na minha opinião.
O novo single 'Cool' é um pouco mediano, acho.

gonn1000 disse...

João: Também gosto, mas prefiro "The Danger Zone". Cya ;)

kimikkal: Yup, basicamente é isso, o que não faz dele um mau disco para a "silly season" :)

Pedro Quintino: Sim, não arrisca tanto como poderia, e "Cool" é mais um single mediano (acho que a escolha de singles não foi a melhor, excepto o primeiro, embora perceba a aposta nos temas R&B).

MYXPlus disse...

Eu gosto muito da rapariga. Consigo encontrar algo de único e diferente (é pena ser mais a nível visual que musical)ainda assim gostei da crítica.

gonn1000 disse...

Pois, é um daqueles casos onde a imagem me parece mais trabalhada do que a música (com direito a linha de roupa própria - L.A.M.B. - e tudo).

brain-mixer disse...

o "What you waiting for" é para mim a música mais ritmada do ano. Mas é pena que a Gwenzinha esteja enfiada com aquele gajo dos Bush... rrrrrrrrrrrrrrr

gonn1000 disse...

É um bom single (o melhor do disco até agora). Quanto à Gwen e ao Gavin, aquilo já dura há uns tempos, acho que estás com azar :P

Kraak/Peixinho disse...

LOL Gonn. Ainda naum ouvi :P

Hugzz esquecidos

gonn1000 disse...

Deixa lá, também não é um caso de vida ou morte... Mas é melhor do que Train e Embrace (eheheh não resisti).

Kraak/Peixinho disse...

LOL. Passo a sugestão!! Embrace :D!

Hugzz

gonn1000 disse...

Pronto, ok, fica mais tempo para a Celine :P

Lid disse...

Gwen: uma moça belíssima, com uma voz bem pop não muito trabalhada, mas que diverte.

gonn1000 disse...

Não tem uma grande voz, não, mas como o disco vale mais pela produção isso não prejudica muito.