sábado, abril 22, 2006

MULHER À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS

“Grain in Ear”, o segundo filme de Zhang Lu, escritor e realizador chinês, é um retrato da solidão de uma mulher coreana que vive em condições precárias no arredores de Pequim e cuja subsistência depende da venda de kimchi, um prato típico da Coreia.
Com um quotidiano rotineiro e pouco próspero onde tem como companhia o seu pequeno filho e quatro amigas prostitutas, Cui Shunji vê o seu dia-a-dia tornar-se mais desesperante quando se envolve com um homem casado, relação que conduz a uma série de problemas.

Alvo de humilhação, assédio sexual e chantagem devido à sua condição feminina e de imigrante, a protagonista assume uma postura cada vez mais lacónica, fazendo de “Grain in Ear” um drama dominado por uma angústia recorrente.

Dominado por silêncios (os diálogos são apenas ocasionais), longos planos fixos e um ritmo letárgico, o filme apresenta pormenores de realização curiosos, evidenciando que Zhang Lu tem engenho para proporcionar bons enquadramentos e alguns truques visuais (as melhores sequências são aquelas onde o espectador não sabe o que se passa por detrás das paredes ou portas que o realizador foca), mas nunca consegue fazer com que as suas personagens ganhem alma.

A protagonista, inexpressiva e apática, é especialmente desinteressante, e acompanhá-la ao longo de quase duas horas é um desafio que se arrisca a afastar os espectadores menos benevolentes.
As personagens do filho e de uma das prostituas são mais conseguidas e proporcionam os pouquíssimos momentos minimamente emotivos e enternecedores (os episódios das brincadeiras ou da televisão), mas sempre que o filme volta a centrar-se em Cui Shunji o tédio instala-se, oferecendo cenas bocejantes e intermináveis.

Árido e excessivamente contemplativo, “Grain in Ear” só se liberta da monotonia já na sequência final, onde a câmara se cola à protagonista e cria uma tensão e urgência que o filme não consegue apresentar até então, ficando na memória como uma experiência cinematográfica que se arrasta e raramente seduz, embora sugira que Zhang Lu ainda pode vir a tornar-se num esteta meritório.

E O VEREDICTO É: 1,5/5 - DISPENSÁVEL

4 comentários:

H. disse...

é chato ter frequencias nas semanas do indie...
ainda bem q há sitios como este onde posso ver o que andei a perder!

gonn1000 disse...

Frequências na semana do Indie deve ser mesmo muito chato :S
Bem, por aqui vou tentar destacar tudo o que vir por lá :)

Mário Lopes disse...

Eh lá :o...e eu que tive para ir ver este, lol!

Abraço

gonn1000 disse...

Na minha opinião, não perdeste muito.