quarta-feira, maio 03, 2006

METROPOLIS

Especializando-se na realização de documentários e comédia negras, Michael Glawogger tem sido um dos mais prolíficos cineastas austríacos, abordando frequentemente questões polémicas mas socialmente relevantes.

“Megacities”, documentário de 1998, é disso exemplo, e lança um olhar sobre os meandros mais conturbados de quatro grandes cidades mundiais - Bombaim, México, Moscovo e Nova Iorque -, proporcionando uma densa viagem por locais inóspitos e situações inquietantes.

Recorrendo a testemunhos de alguns habitantes destes centros urbanos, o filme fornece um retrato do seu quotidiano e das aflitivas condições de vida que o caracterizam, centrando-se nas experiências daqueles a quem o desenvolvimento das metrópoles não trouxe grande prosperidade.

Com uma narrativa fragmentada, que muda constantemente os indivíduos e peripécias em foco, “Megacities” peca por ser demasiado disperso, pois só a espaços consegue de facto aprofundar o retrato das pessoas e culturas em que se concentra.

Glawogger oferece alguns bons momentos, surpreendendo pela crueza e sentido de observação, mas também deixa dúvidas quanto à relevância de outros, caso das sequências com a dançarina mexicana – provavelmente a mais longa do filme – ou com os alcoólatras russos, onde a denúncia e crítica se confunde com a exploração, apoiando-se num voyeurismo questionável.

Em cenas como essa, “Megacities” contém os vícios de um pomposo filme-choque, preocupando-se sobretudo em impressionar o espectador mesmo que a pertinência das imagens que apresenta seja dúbia.

Entre os elementos mais conseguidos destacam-se os recorrentes travellings sobre as ruas das cidades ou um interessante contraste cromático gerado pela alternância de atmosferas, tornando-o num documentário com uma invulgar e absorvente energia visual.

Irregular mas recomendável, “Megacities” vale pelos episódios em que consegue transmitir a sensação de urgência e claustrofobia de algumas situações que relata sem que para isso se apoie numa exibicionista montra de decadência. Infelizmente, contudo, estes não ocorrem com a frequência suficiente para que o filme chegue ao brilhante retrato cujo potencial sugeria.

E O VEREDICTO É: 2,5/5 - RAZOÁVEL

1 comentário:

Anónimo disse...

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