domingo, dezembro 04, 2005

POBRE MENINA LOUCA

Embora tenha realizado outras películas, o britânico John Madden destacou-se sobretudo com “A Paixão de Shakespeare”, um filme sobrevalorizadíssimo e vencedor de sete Óscares, em 1998, que assinalou o maior equívoco cometido pela Academia das Artes e Ciências Cinematográficas americana durante a década de 90.
Já o seu filme seguinte, “Capitão Corelli”, de 2001, passou a leste das atenções, e agora o realizador regressa com “Proof – Entre o Génio e a Loucura”, reencontrando-se com Gwyneth Paltrow, a actriz que protagonizou a sua obra mais emblemática e que assume aqui de novo o papel principal.

Paltrow foi também a protagonista da bem sucedida peça de David Auburn em que o filme se inspira, encarnando Catherine, filha de um conceituado matemático recentemente falecido que aparenta ter herdado deste parte da sua genialidade assim como alguma da sua instabilidade emocional.
Para além de ter de superar os difíceis primeiros dias de luto, Catherine terá de voltar a contactar com a sua irmã mais velha, com quem mantém uma relação difícil, e de tentar compreender o que sente por um ex-aluno do seu pai que estuda os muitos apontamentos que este deixou.

Filme de personagens e, principalmente, de actores, “Proof – Entre o Génio e a Loucura” evidencia as suas bases teatrais, tendo em conta que possui poucas cenas de exteriores, centra-se bastante nos diálogos e não apresenta grandes ideias de cinema. Formalmente, Madden é até muito acomodado e académico, proporcionando um trabalho de realização competente mas demasiado previsível, sem nenhum plano com sinais particulares (dando assim continuidade à matriz que já caracterizava os seus filmes anteriores).

Não é, portanto, pela inventividade do realizador que “Proof – Entre o Génio e a Loucura” se torna num filme interessante, mas antes pelo argumento que, mesmo não sendo revolucionário, é suficientemente sólido, assim como o são as interpretações de um elenco bem dirigido.
Paltrow volta a provar que é uma actriz meritória, oferecendo um desempenho convincente e compondo uma protagonista intrigante, mas o elenco de secundários é igualmente forte, contando com interpretações de um Anthony Hopkins pouco empenhado mas ainda assim seguro e de Jake Gyllenhaal, um dos melhores jovens actores norte-americanos que aqui encarna com eficácia mais uma personagem idealista (que, no entanto, o argumento poderia ter explorado mais). A interpretação mais surpreendente, contudo, é a de Hope Davis, num papel nos antípodas daquele que lhe deu alguma visibilidade em “American Splendor”, mas não menos conseguido e credível.

Oscilando entre o drama e a comédia sem cair em facilidades emocionais ou num humor óbvio, “Proof – Entre o Génio e a Loucura” pode não trazer nada de novo ao cinema mas pelo menos conta uma boa história de forma competente, com personagens e situações verosímeis, algo que nem sempre é muito habitual hoje em dia, pelo menos em domínios mais mainstream. Não torna John Madden num realizador especialmente marcante, mas permite que este se redima por ter gerado títulos tão inócuos e facilmente esquecíveis como o famigerado “A Paixão de Shakespeare”.

E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM

4 comentários:

H. disse...

Concordo com mto do q dissest, nomeadamente o facto de Hope Davis ser a grande surpresa do filme.
No entanto discordo do teu 'desprezo' pela «Paixão de Shakespeare» ;) Estou conivente qdo falas de sobrevalorização por parte da Academia mas é um filme de época (se é q se pode chamar assim) muito original e que tem o mérito de irradiar um empolgamento pelas palavras do mestre, conseguindo tocar até quem nunca tenha lido nada de Shakespeare...

gonn1000 disse...

Pois a "A Paixão de Shakespeare" não reconheço mesmo grande valor, achei que era um oco filme "de prestígio" com tentativas de humor fracassadas e de reduzido substrato dramático. Passo, mas respeito a tua opinião.

well disse...

nada neste filme pretensioso é digno de nota.. um grande e longo bocejo de tédio.

gonn1000 disse...

Discordo, não é um filme obrigatório mas é suficientemente consistente.