domingo, outubro 10, 2004

IRMÃOS, ONDE ESTÃO?

Autores de títulos emblemáticos como "Fargo", "Blood Simple" ou "Barton Fink", os irmãos Coen possuem uma considerável obra que se distingue por uma peculiar combinação de suspense, humor ácido e um gosto pela desconstrução de modelos clássicos do cinema (thriller, film noir ou mesmo o musical). Se no seu filme anterior, "Crueldade Intolerável" (Intolerable Cruelty, de 2003), a dupla se dedicava a trabalhar os códigos da comédia romântica/screwball, em "O Quinteto da Morte" (The Ladykillers) os azimutes desviam-se agora para territórios ligados aos filmes-de-gangsters e de golpe.


Remake de "O Quinteto Era de Cordas", clássico de humor britânico realizado em 1955 por Alexander Mackendrick, a mais recente proposta dos Coen retrata as aventuras de cinco ladrões e o seu plano para programar um grande assalto. Aparentando ser um grupo musical, a pandilha de criminosos instala-se em casa de uma velhinha com o intuito de usar a sua cave como centro estratégico. No entanto, os acontecimentos não decorrem conforme o previsto e surgem diversas situações que colocarão em causa o sucesso do plano.

Como grande parte das obras dos realizadores, a acção de "O Quinteto da Morte" decorre no interior dos EUA, e desta vez centra-se numa comunidade negra sulista. Aqui, o remake difere do modelo original, que se desenrolava em Londres. A atmosfera ligeiramente sinistra do filme recorre a sonoridades gospel para retratar os ambientes recônditos e isolados da América profunda.

Os Coen mantêm o gosto por personagens absurdas e irreais, geradoras de alguns gags certeiros e engenhosos. A equipa de ladrões é constituída por um grupo de profissionais do crime frustrados, incluindo um gigante pouco inteligente, um oriental sisudo, um negro tagarela, um criminoso adoentado e o mentor Goldthwait Higginson Dorr, um requintado manipulador (interpretado por um irreconhecível Tom Hanks). Como principal ameaça aos projectos do gang destaca-se Marva Munson (uma convincente Irma P. Hall, vencedora do Prémio do Júri no Festival de Cannes 2004), a inofensiva (?) velhinha negra que insiste em frustrar as expectativas dos criminosos.

Esta galeria de figuras pitorescas é suficientemente competente para oferecer uma série de cenas de humor bem-conseguidas, sobretudo nos momentos que focam Tom Hanks e Irma P. Hall, mas não há nenhuma personagem que ultrapasse a unidimensionalidade de traços demasiado caricaturais. Os actores conseguem disparar ocasionais diálogos inspirados e contagiantes, mas encontram-se também algumas cenas que se apoiam num tipo de humor mais banal e desinteressante.

No seu conjunto, "O Quinteto da Morte" torna-se assim num filme desequilibrado e irregular, não estando ao nível de trabalhos anteriores dos realizadores, que apresentavam um maior esforço em arriscar e desbravar novos territórios. Os elementos irónicos e subtis que se esperaria encontrar numa comédia negra não surgem tanto quanto deveriam, dando lugar a cenas de humor mais previsíveis e tipificadas.

Enquanto simples entretenimento, "O Quinteto da Morte" consegue atingir um nível competente e razoável, mas não contém a carga provocadora e satírica de outros filmes dos Coen (o relativamente recente "Crueldade Intolerável" oferecia um resultado final bem mais consistente, ousado e refinado). Apesar de ser uma comédia simpática e curiosa, esta nova proposta da dupla de realizadores raramente ultrapassa a mediania e não se engloba entre as obras mais memoráveis do duo. Eficaz, a espaços divertida, mas pouco surpreendente.

E O VEREDICTO É: 2.5/5 - RAZOÁVEL

1 comentário:

Scott Arthur Edwards disse...

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