segunda-feira, outubro 15, 2007

QUINTETO FANTÁSTICO

O primeiro single, “Ice Cream”, foi já editado em 2005, mas o disco, “Fantastic Playroom”, só teve edição este ano, e apesar de ser pouco mais do que uma compilação de um EP e restantes singles entretanto editados – com escassos temas novos – é mais do que suficiente para colocar os londrinos New Young Pony Club na lista das boas estreias (em álbum) de 2007.

A par de nomes como os Klaxons ou ShitDisco, o quinteto tem sido associado (sobretudo pela imprensa britânica) ao movimento new rave, rótulo pouco consensual e que aqui – mais uma vez - nem fará muito sentido, já que o grupo, não obstante a óbvia vertente dançável, segue mais a linha de algumas referências new wave do que propriamente as de electrónicas enérgicas de inícios da década de 90.

Ritmicamente há por aqui ecos da escola Gang of Four (via baixo e percussão), com produção devidamente actualizada e próxima da de uns LCD Soundsystem, e a escrita das canções respira a mesma tendência irreverente e provocadora que tanto remete para os B52’s ou para a faceta mais festiva das Le Tigre.

Na verdade, ao escutar “Fantastic Playroom” é quase inevitável não pensar noutras referências, o que não chega a ser um problema já que os New Young Pony Club não parecem querer fazer mais do que um conjunto de canções apelativas, dinâmicas e com considerável carga viciante, onde o imediatismo não implica que se esgotem ao fim de um par de audições. E nesse aspecto são muito bem sucedidos, construindo um álbum que pode não ficar para a história mas que soa actual apesar da óbvia herança do passado e mantém mesmo, ao longo de todo o alinhamento, uma frescura invejável.

As primeiras faixas são, de resto, alguma da confeitaria pop mais saborosa do ano, desde “Get Lucky”, que marca logo uma contagiante cadência dançável, até “Jerk Me”, caso onde as letras insinuantes do grupo adquirem um carácter mais forte (o título da canção já o sugere e frases como Mark your sordid X on me confirmam-no), sendo devidamente acompanhadas por uma percussão e baixo repetitivos, impecavelmente conjugados com palmas, teclados e sintetizadores à Gary Numan (presentes noutros temas mas não de uma forma tão apurada como neste).

Os singles “Ice Cream” e “The Bomb” não lhes ficam atrás, sobretudo o segundo, que faz jus ao nome e é uma vibrante bomba prestes a incitar explosões numa pista de dança, sendo apenas superado por “Hiding on the Staircase”, talvez o momento mais alto do disco, cópia tão descarada quanto perfeita das Luscious Jackson no seu melhor.

Vertiginoso e por vezes imbatível durante a primeira metade, “Fantastic Playroom” desacelera na segunda e, talvez por isso, perde parte substancial do seu interesse, ficando-se por composições menos desafiantes.

Os coros do refrão de “The Get Go”, atípica canção onde a melancolia tem espaço, ainda permitem que esta supere a mediania, o que já não ocorre tanto na lacónica “Talking Talking” – a evocar atmosferas dos Cure - ou na pouco surpreendente “Grey”. Mais empolgante, “Fan” regressa à vertente pop da banda e pode deixar muitos a entoar I’m your F-A-N, M-A-N, e “Tight Fit” não destoaria num álbum de Gwen Stefani ou Madonna (fase “Confessions on a Dance Floor”), fechando o disco de forma eficaz ainda que sem a força dos primeiros temas.

Prejudicado por uma segunda metade menos consistente, “Fantastic Playroom” nunca chega a ser decepcionante nem tem maus momentos, mesmo que o grau de inspiração varie.
Um dos trunfos que se mantém sempre é Tahita Bulmer, vocalista cujo carisma emana tanto nos temas festivos como recatados, nos coros ou nos sussurros, consolidando grande parte da atitude descomplexada que sobressai nas canções da banda (e libidinosa q.b., expressa em sugestões como Second punch me with your love ou Let your girlfriend do what your boyfriend can’t).
A sua presença chega a lembrar a de Lovefoxxx, dos Cansei de Ser Sexy, responsáveis pelo party album mais convincente de 2006, categoria na qual os New Young Pony Club parecem vencer este ano com um primeiro disco carregado de muitas e boas proteínas dançáveis. Nem sempre é fantástico, mas nunca deixa de ser interessante.

E O VEREDICTO É: 3,5/5 - BOM



New Young Pony Club - "The Bomb"

2 comentários:

Pedro disse...

NYPC, uma das melhores lembranças na bagagem de Paredes :)

gonn1000 disse...

Pois foi, pena aquele horário mas safaram-se muito bem.