quarta-feira, abril 06, 2005

GRITOS

Dois homens (interpretados por Leigh Whannell e Cary Elwes) acordam numa casa de banho e não têm ideia de como foram lá parar. O facto de estarem aprisionados por correntes já é suficientemente inquietante, mas quando encontram um cadáver no centro da sala o panorama torna-se ainda mais assustador. No momento em que a dupla se apercebe de que está a ser controlada por um serial killer, estão lançadas as bases para uma promissora proposta por domínios do terror, thriller e suspense.

Devido a este ponto de partida, "Saw - Enigma Mortal", tem sido comparado a títulos marcantes como "Sete Pecados Mortais" (Se7en), de David Fincher, ou "O Cubo" (Cube), de Vincenzo Natali. A aura de filme de culto está assim assegurada, mas infelizmente a película de James Wan fica aquém das expectativas. O início é entusiasmante, com consideráveis doses de claustrofobia, mistério e desolação, mas a eficácia dos primeiros minutos nem sempre tem continuidade à altura.

"Saw - Enigma Mortal" peca por ter personagens a mais com desenvolvimento a menos, onde estas não são mais do que peças de um jogo e não possuem grande densidade psicológica. O caso mais gritante é mesmo o do serial killer, estereotipado e com motivações que ficam por esclarecer, afastando-se, por exemplo, do vilão de "Sete Pecados Mortais", este bem mais complexo e nebuloso.

O desenvolvimento do filme revela-se frustrante, uma vez que muitas das reviravoltas, inicialmente surpreendentes, tornam-se banais quando se percebe que, a dada altura, "Saw - Enigma Mortal" recorre a estas de forma exagerada, gerando situações demasiado inverosímeis e inacreditáveis. As cenas finais com a esposa da personagem de Elwes são particularmente forçadas (e já agora, melodramáticas), como aliás todo o último terço do filme, com diversas coincidências demasiado convenientes para o argumento.

Wan consegue gerar um ritmo trepidante e absorvente durante quase todo o filme, com uma competente gestão de flashbacks, mas a fraca direcção de actores, as debilidades do argumento, as fartas (e desnecessárias) doses de gore e o estilo de realização que por vezes roça ambientes de videoclips de bandas nu-metal não contribuem para que o projecto se desenvolva de uma forma especialmente estimulante.

Sobram alguns bons momentos de tensão, uma apelativa fotografia rude e urbana e uma energia visual que conquista a espaços, mas ficam por perceber os motivos que despoletaram tanto burburinho em torno deste "Saw - Enigma Mortal".

E O VEREDICTO É: 2/5 - RAZOÁVEL

18 comentários:

Vladimir disse...

Impossível comparar esse filme a Seven. mas tb é injusto não reconhecer o valor desse ótimo suspense. Como pode ver, concordo em partes com vc. Um prazer visitar seu Blog. Abraços!!!

Vladimir disse...

Meu endereço é www.ntsa.interativo.org. Se der, apareça.

gonn1000 disse...

Pois, a mim não me convenceu muito, mas vê-se bem...Já visitei o "Nem Todos São Arte"...gostei :)

David Santos disse...

Já tás de volta ;)
Saw, tou a ver que tenho de ver...

Um Abraço
David

Ps: fui muito mau com o paparazzi?

gonn1000 disse...

Yup, tou de volta :)

Vê, pode ser que gostes. Não vi o "Paparazzi", e não ouvi dizer bem do filme, mas 1/10??? LOL

Fica bem

Gustavo H.R. disse...

Saudações, gonn1000
Como você escreveu em seu texto, muitos compararam esse filme com o legendário SE7EN, de David Fincher. Tais críticas positivas quase me fizeram ir ver o filme, mas tenho certeza que se tivesse visto, teria me deparado com o mesmo suspense medíocre e inverossímel descrito em seu texo.

gonn1000 disse...

Pois, acho que está mesmo uns furos abaixo do "Se7en", mas os apreciadores do género poderão querer dar uma espreitadela...A mim não me marcou especialmente.

S0LO disse...

Bom, para veres a minha opinião sobre esse filme vai aqui -> http://lordofthemovies.blog-city.com/read/1183590.htm

Já agora, obrigado por me teres adicionado aos teus links. Também te adicionei a ti :).

Cumprimentos cinéfilos

gonn1000 disse...

Sim, já vi (e comentei) a tua opinião.

Obrigado eu também :)

Fica bem

Flávio disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Flávio disse...

Já disse e repito: o grande problema de Saw é a montagem. Como muito bem disse o Gonçalo, as coisas até começam lindamente, mas devido à estupidez do montador o filme descamba nos seus dois últimos actos.

Os sustos não funcionam, as cenas inúteis proliferam e a explicação para os crimes é ridícula.

Uma das piores cenas é aquela em que o médico se decide a usar a serra. A interpretação é tão má que chega a ser ridícula. Um montador consciente teria jogado a cena no caixote.

PUB: A propósito do filme Se7en, podem ler um texto inédito e exclusivo do seu argumentista no meu blogue A Bomba:

www.a-bomba.blogspot.com

gonn1000 disse...

Concordo contigo, Flávio, e espero que a sequela (pois, já há uma) seja mais interessante.

Ah, depois depositas 500 Euros na minha conta pela publicidade, ok? Tenciono enviar-te o meu NIB ainda hoje ;P

Flávio disse...

eh eh eh eh

Eu, falido e desempregado como estou, nem sequer tenho 50 euros para comprar a caixa dos irmãos Marx, quanto mais 500!

Em alternativa, e se estiveres em Lx, posso é convidar-te (e com todo o prazer!) para um cafezinho e pão de ló no cinema Quarteto, seguido de um bom filme.

Um abraço!

gonn1000 disse...

Cafézinho e pão de ló no Quarteto? Lol...por acaso não é um cinema que frequente, mas porque não? Fica bem ;)

Flávio disse...

É verdade! O pão de ló de Alfeizerão à venda no bar do Quarteto é uma instituição entre os cinéfilos de Lisboa.

gonn1000 disse...

LOL...ai é? Ora aí está algo que eu desconhecia :)

Anónimo disse...

Saw perto de Seven ganha sem dúvida. O Seven para a altura foi um filme fantástico, mas não se compara à violência deste... Na minha opinião este Saw é sem duvida melhor que o Seven. E já agra, em termos de violência, o Seven nem devia entrar como comparação, mas sim o Irreversible.

gonn1000 disse...

Embora considere "Seven" sobrevalorizado (acho que David Fincher esteve melhor em "Fight Club" ou "The Game"), acho que está num nível superior ao de "Saw".
Enquanto que Ficher opta pela sugestão, Wan mostra tudo (ou seja, demais), perdendo em subtileza e apostando num estilo estridente e descontrolado.
E os actores de série B de "Saw" não se comparam ao calibre de Brad Pitt, Morgan Freeman, Gwyneth Paltrow e Kevin Spacey...

Fica bem