segunda-feira, janeiro 17, 2005

ALIEN

Se a expressão "filme-de-culto" deve ser utilizada apenas para um número escasso e limitado de pérolas intemporais, então "Donnie Darko" é um desses casos ímpares e meritórios.

A estreia de Richard Kelly na realização contém uma estranha, mas intrigante combinação de géneros cinematográficos, mesclando traços de ficção científica, comédia negra, suspense, drama familiar, thriller, fantástico e até teen movie.
O mais inesperado é que esta incomum combinação não só funciona como gera um dos títulos mais desconcertantes do cinema norte-americano recente.

Uma absorvente experiência cinematográfica acerca das dificuldades do crescimento, da (falta de) comunicação, da construção da personalidade e das fronteiras entre a sanidade e a loucura, "Donnie Darko" apresenta uma atmosfera esquizofrénica e um conjunto de personagens igualmente singulares.

O (quase) estreante Jake Gyllenhaal oferece uma inquietante interpretação como protagonista, um adolescente confuso e curioso cujo quotidiano é marcado não só pela habitual rotina escolar mas também por conversas com um coelho gigante.
Perdido entre o mundo real e o imaginário, incapaz de aderir aos (limitados?) códigos da vida adulta, Donnie é vítima de um desfasamento progressivo que o conduz à alienação e torna-se num outcast entre os colegas de liceu.

O realizador Richard Kelly apresenta uma soberba atmosfera onírica e etérea, criando um estilo peculiar algures entre o gótico e o surrealista e aproximando-se dos sedutores universos característicos de David Lynch, Atom Egoyan, M. Night Shyamalan ou mesmo Tim Burton. Os cativantes ambientes são complementados pela fulcral contribuição da partitura instrumental de Michael Andrews e das muito adequadas canções dos Tears For Fears, Duran Duran, Echo & The Bunnymen e Joy Division, entre outros.
A banda-sonora é, aqui, um elemento decisivo para a geração de uma aura negra e nostálgica, recriando na perfeição a recta final da década de 80, período em que a acção decorre. A canção mais emblemática do filme é a cover de Gary Jules para o tema "Mad World", dos Tears For Fears, cuja letra e sonoridade são indissociáveis da dilaceração emocional que envolve Donnie.

O olhar de Richard Kelly sobre cenários suburbanos e a depressão adolescente proporciona uma das mais entusiasmantes primeiras-obras do cinema indie dos últimos anos, destacando-se como um dos mais nucleares e memoráveis filmes de 2002.
Hipnótico e viciante, com um argumento complexo e não-linear, "Donnie Darko" é um daqueles raros títulos que consegue surpreender e seduzir a cada novo visionamento.

E O VEREDICTO É: 4/5 - MUITO BOM

5 comentários:

O Puto disse...

Os surrealismo visto através dos olhos de um esquizofrénico, uma fábula gótica, negra, mas deslumbrante. Original, no mínimo. Uma pequena grande obra é um atributo mais que merecido.

Harry_Madox disse...

Sem duvida um dos filmes mais estranhos dos últimos tempos...

gonn1000 disse...

Ainda bem que não sou só eu que gosto do filme :)

Scott Arthur Edwards disse...

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Patrícia disse...

meu filme preferido :)