sexta-feira, julho 07, 2006

CANÇÕES DE EMBALAR

Se nos anos 90 o trip-hop e o downtempo geraram alguns dos discos mais refrescantes e originais do fim do milénio, nos tempos mais recentes esses (sub)géneros não têm sido trabalhados de forma especialmente cativante, antes utilizados de forma redundante e que parece confirmar o seu esgotamento.

Uma das excepções que apresenta traços desses domínios sem no entanto se limitar a enveredar por lugares-comuns é o disco de estreia dos noruegueses Flunk, "For Sleepyheads Only", um dos mais sedutores e cativantes de 2002.

Atmosférico e contemplativo, o álbum sabe aliar uma escrita sólida a uma segura manipulação de elementos electrónicos, apresentando um conjunto de canções marcadas por uma considerável carga cinemática e paisagista.

"Blue Monday", versão para o tema homónimo dos New Order, substitui o dinamismo rítmico do original por cenários de agradável placidez, assemelhando-se ao que os Nouvelle Vague tornariam em fórmula dois anos depois. "See Through You", outro dos momentos altos, interliga também de forma inspirada a delicada voz de Anja Øyen Vister (próxima das de Björk ou Emiliana Torrini) e insinuantes texturas dream pop, assim como "Your Koolest Smile" e "Distortion", caracterizados por uma ténue melancolia.

Os ambientes tensos e enigmáticos do brilhante "Syrupsniph" apostam em territórios mais sombrios, enquanto que "Kebab Shop 3 AM", enérgico e repetitivo, faz lembrar o contagiante single "Eple", dos conterrâneos Röyksopp, e não perde nada na comparação. "Indian Rope Trick" aproxima-se do asian underground, assemelhando-se a Nitin Sawhney no seu melhor, e "I Love Music", com uma apelativa mistura de vozes sampladas e guitarras, funciona bem como uma tranquila mas dançável entrada para o disco.

Embora se aproxime de outras referências, "For Sleepyheads Only" não as usa como mero objecto de decalque mas enquanto fonte inspiradora para a construção de um disco versátil e aglutinador, que acaba por encontrar um espaço próprio. Não fossem pontuais momentos como "Miss World" ou "Magic Potion", interessantes mas menos do que os demais (aproximando-se da mediania de uns Zero 7 ou Thievery Corporation), e esta estreia poderia ter sido ainda mais auspiciosa. A (re)descobrir (página no myspace).
E O VEREDICTO É: 3,5/5 - BOM

5 comentários:

Criswell disse...

Tenho que ouvir isto...

gonn1000 disse...

Força, então :)

Bárbara disse...

Tinha de vir aqui comentar pq falaste no Nitin Sawhney e eu vi-te qdo o G. tava à procura disso, se nao me engano hehe.
Sim , eu vi-te, mas dp qdo ia falar ctg...Gonn was gone.
Take care*

gonn1000 disse...

LOL Já sabia, O Emissor disse-me, mas nessa altura eu já não estava lá. Mas acho que não te vi.
Fica bem

Bárbara disse...

Olhaste p mim como eu olhei p ti, agora se "viste", isso é dif. Podias tar concentrado a ouvir musica.
*