terça-feira, julho 12, 2005

ELECTROBLUES

Uma das boas bandas britânicas formadas no final da década de 90, os Gomez recolheram fortes elogios logo no registo de estreia, "Bring it On", de 1998, álbum que lhes concedeu a atribuição do reputado Mercury Prize.

Um ano depois, "Liquid Skin" seguiu as pistas lançadas pelo primeiro disco, mas em 2002 o quinteto apresentou "In Our Gun", que ampliou um pouco as já diversificadas sonoridades praticadas pelo grupo.

Congregando indie rock, folk, britpop e blues, o terceiro álbum dos Gomez inclui ainda elementos electrónicos, que já complementavam ocasionalmente as canções de registos anteriores mas que obtêm aqui uma predominância mais acentuada.

Trazendo maior modernidade às atmosferas blues/ folk que a caracterizavam, a banda insere subtis contrastes rítmicos que por vezes se aproximam do hipnotismo do trip-hop ou da envolvência do dub, gerando um conjunto de temas que conseguem ser experimentais mas evitam o hermetismo (aliás, grande parte das canções poderia ser um single).

Coeso e cativante, "In Our Gun" é um álbum que, apesar de estar acima da média - sendo decididamente melhor do que certos conterrâneos que continuam a apostar numa estafada fórmula britpop avessa a novas referências -, torna-se, a espaços, um pouco derivativo, aproximando-se tanto dos Calexico ("In Our Gun") ou Morphine ("Shot Shot") como dos Oasis ("Sound of Sounds") ou Delakota ("Detroit Swing 66"), passando pelos Pearl Jam, Turin Brakes ou Dave Matthews Band (com estes últimos exibe sobretudo semelhanças no registo vocal e não tanto nas sonoridades).

Exceptuando este entrave, o disco proporciona motivos suficientes para justificar múltiplas audições, casos da energia contagiante de "Drench", dos intrigantes ambientes de "Army Dub", dos registos contrastantes de "In Our Gun" (onde a melancolia acústica é subitamente interrompida por uma viciante carga electrónica) ou da irreverência de "Ruff Stuff".

Não contendo nada nem de genial nem de insípido, "In Our Gun" é mais um recomendável título da interessante discografia dos Gomez, confirmando, ao terceiro registo, um dos bons projectos de terras de sua majestade.

E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM

10 comentários:

O Puto disse...

Gosto mais do disco de estreia, mas o tema-título de "In Our Gun" é o meu tema preferido dos Gomez, listado em http://coisaspreferidasdoputo.blogspot.com/

gonn1000 disse...

Sim, este e o primeiro também são, para mim, os melhores. E a canção-título é dos momentos mais inspirados do disco, com aquela mudança a meio...

pinko disse...

Já n oiço Gomez à bue... q cena marada...vou ouvir, é melhor antes que fique dependente dos Death From Above 1979... acho que já tenho alguma dependencia...não consigo parar de ouvi-los...

Spaceboy disse...

Os Gomez são mais uma das bandas a descobrir melhor...os Death From Above 1979 são explosivos. Vão rebentar com o Paredes de Coura e eu não vou estar la para ver isso...

gonn1000 disse...

Pinko/Spaceboy: Death From Above 1979 ainda não ouvi...é assim tão bom? Tem alguma coisa a ver com Gomez??

Kraak/Peixinho disse...

Que falta me fazia vir visitar-te Gonn! Gomez rules! Tb anda no side-bar do meu blog!

Hugzzz electrobluezzz

Paranoid Android disse...

Gomez... ja nao ouvi ha bue tb! :-) Mas fikei com saudades, vou ouvir. :-P Tb axo k o Bring it On continua a ser o melhor trabalho deles, mas admiro muito a capacidade que eles tem de mudar de estilo e mm assim continuarem a ser smp grandes.

gonn1000 disse...

Kraak/Peixinho: Sim, já os tinha visto na tua lista de bandas. Desta vez concordamos :)

Marta Veloso: Sim, conseguem ir mudando ligeiramente sem nunca perderem a sua sonoridade típica...

pinko disse...

É páh... olha q DFA 1979 é só assim um bocadinho mais pesadinho..lolol... dois moços, o que toca bateria tambem canta e o amiginho dele toca baixo. E pronto, é assim... tens mesmo de ouvir. Não és obrigado a gostar mas eu ando mesmo viciado no album.

gonn1000 disse...

Pois, já li umas coisas no teu blog. Gostei das comparações aos NIN, merece investigação :)