domingo, abril 24, 2005

O APARTAMENTO

Quase inédito entre nós - apenas um dos seus filmes, "Lilya 4-Ever", teve exibição comercial -, o sueco Lukas Moodysson é, apesar disso, um dos mais emblemáticos nomes de culto do cinema europeu recente – elogiado por figuras como Ingmar Bergman -, cuja obra engloba curtas e longas metragens a par de experiências com o documentário.

"A Hole in My Heart", a sua quarta longa-metragem, debruça-se sobre quatro personagens que partilham um apartamento: Rickard, um pornógrafo amador; Eric, o seu filho adolescente; Geko, um amigo de Rickard que colabora no seu filme; e Tess, a actriz feminina da película pornográfica em preparação.

Denso e claustrofóbico, "A Hole in My Heart" segue estas figuras e regista os mais variados aspectos do seu quotidiano conturbado, que decorre quase sempre na casa de Rickard (raras são as cenas de exteriores, dotando o filme de uma forte carga intimista). Moodysson aprofunda aqui os consideráveis tons realistas que caracterizam a sua obra, recorrendo à câmara à mão e tornando este projecto num arriscado e bizarro home-movie que percorre, a espaços, domínios próximos do inquietante "Tarnation", de Jonathan Caouette, com o qual partilha um olhar cru e quase documental.

"A Hole in My Heart" possui, sobretudo na primeira meia-hora, muitos dos atributos que o tornam candidato a mais um “filme-choque”: imagens de sexo mais ou menos explícito, algumas doses de escatologia, personagens com ténues limites morais e demais situações grotescas prontas a gerar polémica e desconforto. No entanto, depois de obras de cineastas como Larry Clark, Lars von Trier, Michael Haneke e Catherine Breillat, entre outros, terem apresentado (quase) todo o tipo de experiências limite, até que ponto é que esta proposta de Moodysson poderá surpreender, inquietar ou chocar os mais familiarizados com os trabalhos desses autores?

De facto, o que o realizador sueco aqui apresenta não parece mais do que um freak-show algo gratuito que parece esgotar-se na sua própria (pseudo) irreverência, tornando-se cansativo e entediante ao fim de poucos minutos. Contudo – e isso redime parcialmente o filme -, "A Hole in My Heart" evolui depois para um negro e desencantado melodrama, abrangendo áreas que vão desde a difícil relação pai/filho até à procura da fama ou à obsessão pela imagem, gerando um soturno retrato de solidão e dilaceração familiar.

Especialmente curioso é o contraste de atmosferas do filme. O quarto de Eric é um espaço de reclusão e ambientes soturnos, vincado pela escuridão e música experimental, enquanto que as restantes divisões do apartamento servem de cenário para as peripécias frenéticas e vibrantes do seu pai e dos dois actores porno, contaminadas por canções tecno de gosto duvidoso.

"A Hole in My Heart"
acaba por não ser um objecto tão transgressor como algumas vozes defendem, mas a sua perspectiva sobre as relações humanas num mundo (ou mundos) em ruptura e tensão faz com que o filme contenha algo de singular e absorvente, ainda que o resultado não seja mais do que interessante.

E O VEREDICTO É: 2/5 - RAZOÁVEL

2 comentários:

Scott Arthur Edwards disse...

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