quinta-feira, novembro 11, 2004

A MANSÃO DO TERROR

Se Rob Zombie ocupava já uma posição peculiar no universo musical actual, essa especificidade começa agora a transferir-se para territórios cinematográficos com "A Casa dos 1000 Cadáveres" (House of 1000 Corpses). Nos seus videoclips, o músico sempre apresentou claras referências a personagens e simbologias associadas ao cinema de terror/fantástico, expondo ambientes sinistros, obscuros e macabros. A sua primeira longa-metragem é, então, uma extensão desse universo muito próprio, apostando em cenários decadentes, arrepiantes e inóspitos com elevadas doses de excentricidade e tensão.

O filme segue o percurso de quatro jovens que se aventuram de carro pelo interior dos EUA, deparando-se com uma pequena localidade rural numa noite chuvosa e caótica. A boa disposição inicial dos quatro amigos será obrigatoriamente interrompida à medida que estes vão sendo afectados por diversos acontecimentos bizarros e, pouco a pouco, o riso espontâneo e alegre dá lugar a forçados sorrisos amarelos e muito nervosismo. A bizarria aumenta quando os jovens são "hospedados" em casa de uma incomum e intrigante família, iniciando uma perturbante viagem por um autêntico freak-show.

Influenciado por obras marcantes como "Massacre no Texas" (The Texas Chainsaw Massacre), de Tobe Hooper, e exibindo um espírito herdeiro da série-Z, "A Casa dos 1000 Cadáveres" combina atmosferas de pânico, inquietação e horror com diversos momentos de humor (seja ele negro ou de um mau gosto assumido). Não é um filme para levar a sério, antes um divertimento grotesco e algo atípico nos dias de hoje, diferenciando-se de múltiplos "filmes-de-terror-de-adolescentes" indistintos e saídos de uma linha de montagem formatada.

O estilo visual gerado por Zombie, por vezes próximo da montagem dos videoclips (o que não é de estranhar), destila energia cinética e adrenalina, apresentando apelativas texturas de cores e um curioso trabalho de iluminação. Essa componente visual (premiada no Fantasporto deste ano) ilustra eficazmente os ambientes marcados por personagens perversas e demoníacas, onde se desenrolam jogos de tortura, perseguições ameaçadoras, mortes arrepiantes, algum canibalismo, coloridas cenas gore e outros momentos repletos de demência e visceralidade q.b..

"A Casa dos 1000 Cadáveres" consegue, então, inserir algum "sangue novo" dentro de um género já muito trabalhado e à beira do desgaste, funcionando como um competente pastiche de referências e obras paradigmáticas do cinema fantástico. Provavelmente será mais apreciado por fãs do género, já que este concentrado de bem-humorada crueldade com requintes de malvadez dificilmente ganhará a unanimidade do público. Um título a considerar na ressaca do Halloween.

E O VEREDICTO É: 2,5/5 - RAZOÁVEL

2 comentários:

Araujo disse...

A maior merda que aluguei do videoclube, se achas que é melhor que o SAW deves ter os intestinos directamente ligados ao cerébro. Aprende mas é a ver cinema em vez de brincares com o computador... quando ganhares juízo aprende a falar com quem sabe...

Anónimo disse...

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