quarta-feira, maio 17, 2006

DEMÓNIOS NA AMÉRICA

Em Outubro de 1998, a América ficou chocada quando foi noticiado que um homossexual de 21 anos, Matthew Sheppard, tinha sido espancado até ficar gravemente ferido, sendo posteriormente amarrado a uma cerca e abandonado num espaço isolado.
Vítima deste ataque por parte de outros dois jovens, Sheppard acabaria por morrer dias mais tarde, já no hospital, e o trágico acontecimento marcou desde então Laramie, a pequena cidade do Wyoming onde o infortúnio ocorreu.

Moisés Kaufman e os restantes elementos do Tectonic Theater Project basearam-se no caso para criar a peça teatral "Laramie", recolhendo testemunhos de mais de 200 habitantes locais, incluindo amigos, familiares e conhecidos de Sheppard e polícias e médicos que lidaram com a situação.

Oferecendo uma perspectiva abrangente e multifacetada sobre a homofobia, a intolerância e a reacção à diferença, a peça foi alvo de aclamação e motivou um filme, "The Laramie Project", também dirigido por Kaufman, um dos títulos independentes mais elogiados de 2002 que, contudo, nunca chegou a salas portuguesas.

A peça teatral, no entanto, pode agora ser vista no Teatro Maria Matos, não a versão original mas a encenada por Diogo Infante, que se mantém fiel à estrutura narrativa em mosaico, onde cada um dos nove actores (Adriano Luz, Fernando Luís, Albano Jerónimo, Flávia Gusmão, Isabel Abreu, Nuno Gil, Paula Fonseca, Pedro Laginha e Teresa Madruga) interpreta várias personagens, cujos diálogos - ou monólogos - foram proferidos pelos cidadãos entrevistados.

Embora "Laramie" retrate dezenas de figuras, quem nunca aparece em cena é Matthew Sheppard, uma vez que o jovem é caracterizado pelo discurso de terceiros, e felizmente a peça não o torna num mártir de um panfleto a favor dos direitos dos homossexuais, optando pela ambivalência em vez de um fácil discurso edificante.

É certo que "Laramie" visa apelar à tolerância, mas geralmente consegue fazê-lo evitando retratos previsíveis e estereotipados (veja-se o caso da Igreja), dispensando maniqueísmos.
Por vezes há, ainda assim, momentos de gosto duvidoso, como a cena algo moralista das asas, com a amiga lésbica da vítima, ou a dos manifestantes a cantar, assim como alguns lugares-comuns nos diálogos (quando se tenta falar "à jovem"), o que desequilibra alguns momentos mas não afecta a consistência global do projecto.

A encenação minimalista é adequada, pois o mais importante aqui é a palavra, e apesar da simplicidade há algumas sequências inventivas como a da cobertura dos media, que se suporta em várias projecções de falsas reportagens em simultâneo.

O elenco combina actores de várias gerações, entre veteranos e nomes menos experientes, e se todos desempenham os seus papéis com competência, há alguns cuja versatilidade os torna dignos de destaque, casos de Isabel Abreu, Pedro Laginha e, sobretudo, Albano Jerónimo, tendo este último a seu cargo as personagens mais díspares.
A solidez da direcção de actores, aliada ao ritmo rápido de uma narrativa fragmentada, mas inteligível, torna "Laramie" numa obra conseguida e envolvente, e acima de tudo plena de actualidade e pertinência.

E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM

8 comentários:

Frankenstakion disse...

Espero ainda conseguir bilhete para ir ver a peça...

gonn1000 disse...

Está em cena até dia 21 deste mês, por isso mexe-te :P

gonn1000 disse...

Bem, ainda tens quatro dias, é pegar ou largar :)

Ensaio disse...

Quando eu fui a sala estava vazia e era uma sexta-feira. Não deverá ser difícil comprar bilhetes.
Quanto ao post, está muito fiel ao que realmente acontece em palco.

gonn1000 disse...

Eu fui lá na sexta-feira passada e quase esgotou :S

Ensaio disse...

oops! Pois a peça tem sido muito mais publicitada nos últimos dias.
Já agora, parabéns pelo blog.

gonn1000 disse...

Obrigado, já agora para vocês também :)

Anónimo disse...

EU ERA HOMOSSEXUAL TRANSAVA COM MEUS PRIMOS MEU PRIMO E PROFESSOR DE TEATRO JA VIAJOU PARA TURQUIA MILAO MAS ELE TRANSA COM MULHERES TEM NAMORADA EU TAMBEM TRANSO COM MULHER EU ERA HOMOSSEXUAL DESDE CRIANÇA MAS COMHECI UMA MENINA CHAMADA ALESSANDRA ZORNOFF ME APAIXONEI POR ELA ELA ME DEU UM TAPA QUANDO DISSE QUE A AMAVA DISSE QUE ME MATARIA SE FOSSE ATRAS DELA SE QUERIA SEU NOME A COMHECI ELA NOCOLEGIO VILLALVA EM SAO PAULO PERTO DA ESTAÇAO CONCEIÇAO DO METRO .EU FALEI VENDO A ALMA PARA O DIABO PELA ALESSANDRA ZORNOFF EM MIN HA CASA EM SP DE NOITE APARECEU O DIABO COM CHIFRE BOCA L DAVA UM LIQUIDO E ME PEDIU UM FILHO MANDEI ELE SE FUDER ELE DESAPARECEU HOJE ESTOU SO