domingo, dezembro 02, 2007

AONDE É QUE PÁRA A POLÍCIA?

"Hot Fuzz - Esquadrão de Província" chega a Portugal após uma boa recepção crítica internacional e múltiplas provas de entusiasmo demonstradas por admiradores na Internet, cimentando o estatuto de culto que Edgar Wright já tinha suscitado na série televisiva "Spaced" ou no seu primeiro filme, "Zombies Party - Uma Noite... de Morte" (Shaun of the Dead).

Se nesse trabalho antecessor o realizador britânico satirizou os filmes de zombies, agora vira-se para os de acção, guiando-se pelos mecanismos presentes em muitos blockbusters mas inserindo-os num contexto algo inesperado, uma (aparentemente) pacata aldeia inglesa.
O cruzamento dos códigos dos buddie movies com as idiossicrasias das pequenas povoações da Inglaterra profunda (exploradas em muitas britcoms) é uma boa base para o desenvolvimento de uma comédia original e arrojada, e embora "Hot Fuzz - Esquadrão de Província" tenha ganho muitos adeptos à custa dessa fusão, o seu apelo fica por esclarecer, já que as boas ideias da premissa nem sempre têm execução à altura.

O início é promissor, seguindo o destacamento de um polícia londrino para uma pequena localidade no interior, uma vez que o seu elevado profissionalismo, grau de exigência e eficácia deixavam na sombra os seus colegas. Quando chega ao seu novo local de trabalho, o protagonista mantém a sua obstinação, que mais uma vez é encarada com estranheza pelos que o rodeiam, e ainda que nos primeiros casos de debata com infracções menores acaba por se envolver nos motivos que geraram uma série de mortes, lançando suspeitas para a existência de um serial killer.

"Hot Fuzz - Esquadrão de Província" arranca com energia e diálogos certeiros, exibindo sinais de uma interessante comédia irreverente e offbeat, mas aos poucos vai aderindo a um convencionalismo que nem mesmo o seu flirt com cenas de acção ou gore consegue disfarçar. As conversas entre o protagonista e o seu atabalhoado colega revisitam cenas de filmes de acção emblemáticos como "Bad Boys II" ou "Point Break", o rumo dos acontecimentos lembra por vezes o da saga "Arma Mortífera", ainda que num cenário algo inusitado, e mesmo que esta componente de homenagem/sátira gere momentos curiosos, não vai além disso, sendo pouco para que haja aqui algo marcante.

Aliás, esta mistura de géneros acaba por se tornar num tiro no pé, já que Wright não consegue manter um tom uniforme e faz com que o argumento ande aos solavancos, deixando o espectador hesitante entre momentos cómicos e outros mais crus e de alguma violência gráfica (e o humor negro que se tenta retirar desse cruzamento raramente acerta).

As personagens também não ajudam, pois se Simon Pegg e Nick Frost ainda constituem uma dupla com algum interesse - ainda que presa aos estereótipos dos buddie movies - os secundários são caricaturas sem consistência, o que é pena tendo em conta que muitos são nomes talentosos da britcom, como Martin Freeman, Stephen Merchant ou Paddy Considine.

Com uma duração mais curta, talvez "Hot Fuzz - Esquadrão de Província" resultasse, mas duas horas é claramente demais para um argumento tão raso e que só a espaços oferece sequências de humor pelas quais tem sido destacado - e mesmo essas estão longe de ser hilariantes, confirmando que há mais carisma num episódio de meia hora de muitas comédias britânicas televisivas do que aqui.

Os últimos minutos são particularmente monótonos, assentando num tiroteio supostamente paródico embora tão banal como os de um filme de Jerry Bruckheimer ou Michael Bay. Wright tenta fazer desta uma obra auto-consciente e clever, só que essa pretensão sai vitimada quando não oferece momentos à altura, sendo poucos os rasgos de criatividade de uma comédia que no seu melhor se fica pela mediania e que, com as devidas distâncias, está geralmente mais próxima da banalidade de uma qualquer "Academia de Polícia" do que da ousadia delirante de "Team America - Polícia Mundial".

E O VEREDICTO É: 2/5 - RAZOÁVEL

6 comentários:

Lídia Gomes disse...

Se estás a chamar a massiva cena de acção tresloucada de 30 minutos monótona, parece que não fomos ver o mesmo filme!:)
Discordo da tua apreciação, acho que o filme caminha sempre num crescendo e o humor resulta, mas também se todos gostássemos de lilás o mundo seria muito estranho.

Bom trabalho.

gonn1000 disse...

Acho que resulta ocasionalmente, no geral fica muito aquém dos elogios com que chegou. Mas sim, é difícil haver consensos, sobretudo no humor :)

Anónimo disse...

pq é que pões tudo em itálico? a única razão que há para pôr coisas em itálico é dar a entender ao leitor que é uma expressão que ele pode não compreender e mesmo aí é só quando introduzes as expressões nos textos. ao usares itálico em tudo estás a tomar os teus leitores por estúpidos, coisa que eles não são, ou melhor, devem ser menos estúpidos que tu. team america>hot fuzz? em que mundo é que vives?

gonn1000 disse...

Vivo num mundo em que é comum colocar em itálico palavras num idioma estrangeiro, ainda que sejam usadas por cá com alguma frequência.

E sim, gostei mais de "Team America" do que deste, e até explico porque gosto de um e não de outro, com argumentos e tal. Claro que se para ti argumentar é chamar "estúpido" a alguém, não espero que os entendas.

E podes assinar o que escreves, também não vou ao teu blog comentar anonimamente (nem de outra forma, aliás nem eu nem ninguém, o que talvez explique muita coisa).

Anónimo disse...

q blog??

gonn1000 disse...

Pois...