quinta-feira, dezembro 06, 2007

ESTREIA DA SEMANA: "PEÕES EM JOGO"

Tom Cruise, Meryl Streep e Robert Redford são os protagonistas do novo filme realizado por este último, "Peões em Jogo" (Lions for Lambs). O elenco é promissor, e aliado à temática - os EUA actuais, com particular ênfase na abordagem à política, media, educação e guerra - parece torná-lo numa das obra com potencial. A conferir a partir de hoje.

Outras estreias:

"12:08 A Este de Bucareste", de Corneliu Porumboiu
"A Bússola Dourada", de Chris Weitz
"Corações Solitários", de Todd Robinson
"Elas Não Me Largam", de Mark Helfrich



Trailer de "Peões em Jogo"

quarta-feira, dezembro 05, 2007

FUNDO DE CATÁLOGO (7): THE BELOVED

Corria o ano de 1993 quando os britânicos The Beloved editaram o seu segundo álbum, "Conscience". A banda, hoje praticamente esquecida, ao contrário de artistas contemporâneos comparáveis como os New Order ou os Pet Shop Boys, deixou contudo um single que ainda não perdeu a frescura que exibiu na altura. "Sweet Harmony", viciante hino synth pop etéreo, continua uma bela canção com potencial para fazer aumentar a taxa de natalidade, e o videoclip ainda acentua mais essa vertente:


The Beloved - "Sweet Harmony"

Recordações anteriores

FOTOGRAMAS DE 2007 (I)

segunda-feira, dezembro 03, 2007

INDIE DAYS (REPRISE)

A imagem acima pertence a "Analog Days", o belo filme de estreia do norte-americano Mike Ott e uma das melhores surpresas da última edição do IndieLisboa. Este e outros títulos presentes no festival serão reexibidos durante esta semana na Reitoria da Universidade de Lisboa, pelas 18 horas, e a entrada é gratuita. O programa pode ser visto aqui.

domingo, dezembro 02, 2007

AONDE É QUE PÁRA A POLÍCIA?

"Hot Fuzz - Esquadrão de Província" chega a Portugal após uma boa recepção crítica internacional e múltiplas provas de entusiasmo demonstradas por admiradores na Internet, cimentando o estatuto de culto que Edgar Wright já tinha suscitado na série televisiva "Spaced" ou no seu primeiro filme, "Zombies Party - Uma Noite... de Morte" (Shaun of the Dead).

Se nesse trabalho antecessor o realizador britânico satirizou os filmes de zombies, agora vira-se para os de acção, guiando-se pelos mecanismos presentes em muitos blockbusters mas inserindo-os num contexto algo inesperado, uma (aparentemente) pacata aldeia inglesa.
O cruzamento dos códigos dos buddie movies com as idiossicrasias das pequenas povoações da Inglaterra profunda (exploradas em muitas britcoms) é uma boa base para o desenvolvimento de uma comédia original e arrojada, e embora "Hot Fuzz - Esquadrão de Província" tenha ganho muitos adeptos à custa dessa fusão, o seu apelo fica por esclarecer, já que as boas ideias da premissa nem sempre têm execução à altura.

O início é promissor, seguindo o destacamento de um polícia londrino para uma pequena localidade no interior, uma vez que o seu elevado profissionalismo, grau de exigência e eficácia deixavam na sombra os seus colegas. Quando chega ao seu novo local de trabalho, o protagonista mantém a sua obstinação, que mais uma vez é encarada com estranheza pelos que o rodeiam, e ainda que nos primeiros casos de debata com infracções menores acaba por se envolver nos motivos que geraram uma série de mortes, lançando suspeitas para a existência de um serial killer.

"Hot Fuzz - Esquadrão de Província" arranca com energia e diálogos certeiros, exibindo sinais de uma interessante comédia irreverente e offbeat, mas aos poucos vai aderindo a um convencionalismo que nem mesmo o seu flirt com cenas de acção ou gore consegue disfarçar. As conversas entre o protagonista e o seu atabalhoado colega revisitam cenas de filmes de acção emblemáticos como "Bad Boys II" ou "Point Break", o rumo dos acontecimentos lembra por vezes o da saga "Arma Mortífera", ainda que num cenário algo inusitado, e mesmo que esta componente de homenagem/sátira gere momentos curiosos, não vai além disso, sendo pouco para que haja aqui algo marcante.

Aliás, esta mistura de géneros acaba por se tornar num tiro no pé, já que Wright não consegue manter um tom uniforme e faz com que o argumento ande aos solavancos, deixando o espectador hesitante entre momentos cómicos e outros mais crus e de alguma violência gráfica (e o humor negro que se tenta retirar desse cruzamento raramente acerta).

As personagens também não ajudam, pois se Simon Pegg e Nick Frost ainda constituem uma dupla com algum interesse - ainda que presa aos estereótipos dos buddie movies - os secundários são caricaturas sem consistência, o que é pena tendo em conta que muitos são nomes talentosos da britcom, como Martin Freeman, Stephen Merchant ou Paddy Considine.

Com uma duração mais curta, talvez "Hot Fuzz - Esquadrão de Província" resultasse, mas duas horas é claramente demais para um argumento tão raso e que só a espaços oferece sequências de humor pelas quais tem sido destacado - e mesmo essas estão longe de ser hilariantes, confirmando que há mais carisma num episódio de meia hora de muitas comédias britânicas televisivas do que aqui.

Os últimos minutos são particularmente monótonos, assentando num tiroteio supostamente paródico embora tão banal como os de um filme de Jerry Bruckheimer ou Michael Bay. Wright tenta fazer desta uma obra auto-consciente e clever, só que essa pretensão sai vitimada quando não oferece momentos à altura, sendo poucos os rasgos de criatividade de uma comédia que no seu melhor se fica pela mediania e que, com as devidas distâncias, está geralmente mais próxima da banalidade de uma qualquer "Academia de Polícia" do que da ousadia delirante de "Team America - Polícia Mundial".

E O VEREDICTO É: 2/5 - RAZOÁVEL

sexta-feira, novembro 30, 2007

10 BLOGUES, 5 FILMES, 1 REALIZADOR


A tabela relativa a algumas das estreias de Novembro, mais uma vez organizada pelo Knoxville. O realizador do mês foi Robert Zemeckis, do qual não sou grande apreciador mas que ainda assim fez alguns filmes que me marcaram - "Quem Tramou Roger Rabbit?" é daqueles de que gostei aos 7 (ou perto disso) e julgo que continuarei a gostar aos 77.

quinta-feira, novembro 29, 2007

FUTURISMO OLD SCHOOL

Antes de se tornar numa dos nomes fortes da Ed Banger - editora que congrega alguns dos artistas mais emblemáticos da nova electrónica francesa -, DJ Mehdi, ou Mehdi Faveris-Essadi, tinha já um currículo musical respeitável que incluía a participação em bandas de hip-hop como Ideal J e 113, colaborações com MC Solaar, Cassius ou Daft Punk ou composições para as bandas-sonoras de “Mulher Fatal”, de Brian DePalma, ou “Reis e Rainha”, de Arnaud Desplechin.

“The Story of Espion”, o seu álbum de estreia editado em 2002, garantiu-lhe alguns elogios, que foram agora reforçados com o seu segundo disco em nome próprio, “Lucky Boy”, um claro passo em frente onde exibe maior eclectismo e segurança.

Ao contrário da maioria dos seus colegas de editora, como o duo Justice, que recontextualizam referências do french touch de 90 e investem numa nova abordagem entre a house e o rock, DJ Mehdi apresenta temas menos crus e explosivos, centrando-se numa simbiose de hip-hop old school, funk e electro vincada por uma forte carga cinemática e heranças da década de 80.

“Lucky Boy” resulta num interessante conjunto de ambientes, geralmente através de canções instrumentais não muito dinâmicas, de onde sobressai a eficácia de Mehdi como produtor e algum talento na composição, ainda que nunca registe um nível inventivo muito acima da média. Mais agradável do que desafiante, o disco é um curioso caleidoscópio que se empenha na revisitação de estilos e não tanto na projecção de novas ideias, o que não chega a ser um problema já que consegue ser quase sempre absorvente.

Há por aqui vários momentos contagiantes, seja a colaboração com a dupla Chromeo em “I Am Somebody”, um single certeiro e orelhudo, o brevíssimo concentrado de energia de “Signatune”, a sucessão de riffs de guitarra de “Boggin” (um dos poucos que se aproxima da matriz dos colegas da Ed Banger) ou a hipnótica e enigmática faixa-título, que assentaria bem num thriller urbano e elegante.
“Pony Rocking” e “Leave It Alone” ancoram-se num hip-hop sintético com vozes regadas a hélio, “Always Be an Angel” viaja por atmosferas árabes e “Love Bombing” vai desenhando um lento crescendo de intensidade, mantendo-se na fronteira entre o sereno e o inquietante.

Pontualmente há temas menos consistentes, como “Wee Bounce”, cuja percussão repetitiva e imutável acaba por cansar, mas na maior parte dos casos DJ Mehdi convence e faz com que “Lucky Boy” seja um disco capaz de resistir a muitas audições, com potencial para se tornar numa das bandas-sonoras para o quotidiano de muitos.

E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM



DJ Mehdi feat. Chromeo - "I Am Somebody"

quarta-feira, novembro 28, 2007

ESTREIA DA SEMANA: "PROMESSAS PERIGOSAS"

"Promessas Perigosas" (Eastern Promises) é o melhor filme de David Cronenberg em muitos anos - pelo menos para mim, que não sou um admirador incondicional do quase consensual "Uma História de Violência".
Tal como nessa obra precedente, aqui o realizador canadiano afasta-se dos domínios algo bizarros que dominaram parte da sua cinematografia mas não deixa de ser cru e cortante, oferecendo um consistente drama sobre os interstícios da máfia londrina. Viggo Mortensen, o protagonista, obtém aqui um dos seus desempenhos mais fortes e Naomi Watts e Vincent Cassel reforçam a coesão do elenco, num dos títulos mais aconselháveis do final de 2007. Opinião mais alargada aqui.

Outras estreias:

"Conversas com o Meu Jardineiro", de Jean Becker
"Hitman - Agente 47", de Xavier Gens
"Paranoid Park", de Gus Van Sant
"Uma História de Encantar", de Kevin Lima

segunda-feira, novembro 26, 2007

O MEU TIO

"A Outra Margem", o novo filme de Luís Filipe Rocha, gera desde logo alguma curiosidade por contar com uma dupla protagonista pouco habitual: um tio e um sobrinho onde o primeiro é um travesti e o segundo um adolescente com Síndrome de Down. O resultado, contudo, é menos atípico ou mesmo irreverente do que esta junção poderia sugerir, originando um drama sóbrio e contido que se debruça nas contrariedades das relações humanas, tanto familiares como amorosas, e sobretudo na forma como a diferença as influencia.

Ricardo, que faz espectáculos musicais como travesti num bar lisboeta, entra em desespero após o abrupto suicídio do namorado, mas depois de uma visita da sua irmã, que não via há anos, decide regressar com ela à sua terra natal, uma localidade no interior, local onde deixou um pai desiludido e uma noiva frustrada. É aí que conhece outro familiar, o seu sobrinho Tomás, um jovem com trissomia 21 que aos poucos o vai contagiando com a sua espontaneidade e optimismo, e as conversas que partilham acabam por os encorajar a encetar novas fases nas suas vidas.

Luís Filipe Rocha apresenta aqui um filme corajoso, honesto e sensível, características que compensam alguns dos seus problemas. Um dos maiores é o facto dos primeiros 15/20 minutos não serem especialmente envolventes, presos a cenas com planos demasiado longos e contemplativos que impõem um arranque desnecessariamente moroso.
Felizmente, o desenvolvimento da narrativa torna-se mais interessante à medida que as personagens se vão dando a conhecer, e mesmo com um ritmo irregular este drama acaba por ir conquistando através de um argumento consistente e um assinalável rigor formal.

Tal como em outras obras do cineasta, "A Outra Margem" demonstra apuro tanto na realização como na direcção de actores, tendo esta última sido distinguida no Festival de Montreal, onde Filipe Duarte e Tomás Almeida foram ambos galardoados com o prémio de melhor actor. Percebe-se porquê, já que a dupla oferece aqui interpretações sentidas, e Duarte é especialmente notável, compondo uma personagem que facilmente poderia cair na caricatura mas que aqui surge num retrato tridimensional - das expressões faciais à linguagem corporal, o actor sofre uma impressionante metamorfose face ao que já demonstrou em qualquer outro papel que encarnou.

Maria D'Aires e Sara Graça convencem na pele das duas personagens femininas e a fotografia de Edgar Moura potencia alguns belíssimos planos - as paisagens de Amarante, onde grande parte da acção foi filmada, também ajudam -, complementando os seguros enquadramentos de Rocha. Igualmente curiosa é a banda-sonora criada pelos Corvos, ainda que a sua quase omnipresença possa ser cansativa a espaços.

Pena que os interessantes conflitos entre as personagens não sejam tão explorados como se desejaria, impondo um desenlace que deixa várias pontas soltas. Situações como a do reencontro do protagonista com o pai - claramente simbólica, a explicar o título do filme - perdem força por não terem seguimento, não aproveitando ao máximo as possibilidades da premissa.
Aliadas aos problemas iniciais da narrativa, fazem de "A Outra Margem" uma obra desequilibrada, embora não a impeçam de se destacar como um dos bons títulos do final de 2007 e, principalmente, como um dos escassos filmes portugueses dos últimos tempos que vale a pena descobrir.

E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM

VER E OUVIR (2)

Colaborou com os The The, Dee-Lite ou Curtis Mayfield, editou dois álbuns a solo e mais recentemente juntou-se aos Soul Investigators, com quem gravou o disco "Keep Reachin' Up". São estes últimos que acompanham Nicole Willis hoje, no Casino de Lisboa, para um concerto de entrada livre que deverá começar pelas 22h30. Espera-se uma noite de soul e funk clássicos, que terão continuidade no DJ set de Keb Darge.

Como aperitivo para o espectáculo deixo a colaboração da cantora com os Leftfield num dos poucos grandes momentos de "Rythm & Stealth", o último álbum do duo britânico:




Leftfield - "Swords"

domingo, novembro 25, 2007

VER E OUVIR

Com o final do ano a aproximar-se, o Posto de Escuta já escolheu as 10 capas de discos de 2007 que melhor ficam no Cover Flow do iTunes. Apesar de gostar da maioria das escolhas do Pedro, as minhas duas capas preferidas - para ver no iTunes ou não - pertencem ao mesmo álbum:


As capas são enganadoras, já que "A Weekend in the City" não é um disco tão conseguido, ainda que os Bloc Party já o tenham compensado com um dos melhores concertos do ano - no Coliseu de Lisboa, em Maio - e com uma nova canção, "Flux", que primeiro se estranha mas depois se entranha e aponta novas (e interessantes) direcções para o grupo.

Para ver e ouvir aqui em baixo, mas melhor do que o single é uma versão mais longa, que pode ser ouvida e descarregada aqui, juntamente com o óptimo instrumental do mesmo tema e a também recomendável remistura de Burial para "Where is Home?".



Bloc Party - "Flux"

sábado, novembro 24, 2007

POR FAVOR NÃO ME DEVOREM O PESCOÇO

Com o filão dos super-heróis quase esgotado, Hollywood tem investido ultimamente em adaptações da BD norte-americana de outros contornos, direccionando-se para graphic novels dos mais diversos estilos - como pode comprovar-se pela transposição de "300", "Stardust" ou "Sin City" para o grande ecrã. "30 Dias de Escuridão" (30 Days of Night) é um dos exemplos mais recentes, inspirando-se nas pranchas de Steve Niles e Ben Templesmith para criar um filme vincado pelo suspense e algum terror, ou não contasse com a presença de temíveis vampiros.

A premissa é excelente, focando a invasão de uma pequena localidade do Alaska por um grupo de sugadores de sangue durante 30 dias em que nunca se vê a luz do Sol. O cenário frio, hostil e sobretudo nocturno é o ideal para que o grupo de vampiros consiga fazer um banquete duradouro, e o realizador de David Slade - o mesmo do muito promissor "Hard Candy" - é hábil na confecção de atmosferas com tanto de inquietante como de absorvente.

A tradição dos vampiros no cinema vem já desde longe, mas até agora nenhum tinha tido algumas das ideias que "30 Dias de Escuridão" apresenta, desde o peculiar espaço em que acção decorre até à própria caracterização dos descendentes de Nosferatu, que poucas vezes terão sido retratados de forma tão crua, primitiva e arrepiante, sendo aqui pouco mais do que criaturas predadoras desprovidas de qualquer tipo de romantismo.

A realização de Slade não desaponta e mantém a hipnótica energia visual que já era um dos trunfos de "Hard Candy", propiciando belíssimos contrastes entre o sangue e a neve, e o realizador imprime um ritmo eficaz, por vezes vertiginoso, que mantém o suspense ao longo das quase duas horas de duração.

Este evidente savoir faire compensa alguns aspectos menos conseguidos, sendo o mais flagrante a do desenvolvimento das personagens, quase todas carne para canhão - ou pescoço para dentição - e não tanto figuras que surtam especial empatia.
Josh Hartnett, o protagonista, será das raras excepções, muito por culpa de um underacting carismático, e através da conturbada relação com a personagem de Melissa George fornece a âncora emocional do filme. Ben Foster oferece também, como habitual, uma interpretação segura, ainda que a sua personagem tenha uma relevância quase nula para o argumento, e Danny Huston sai-se bem como o arrepiante líder dos vampiros, mesmo tendo um papel sem grandes possibilidades dramáticas.

Outro elemento que compromete o brilhantismo de "30 Dias de Escuridão" é o facto da passagem do tempo não ser apresentada de modo convincente, pois apesar das legendas anunciarem a sucessão dos 30 dias, as atitudes - e mesmo o aspecto - das personagens leva a crer que decorreram apenas algumas horas ao longo do filme.

Mesmo assim, esta é ainda uma experiência cinematográfica meritória, que se não redefine o género - como a premissa poderia sugerir - também não o envergonha, apresentando muitas sequências certeiras e envolventes, dominadas por explosões de cor e tensão. Slade aposta, e bem, numa narrativa directa e escorreita, com uma eficácia de série-B - não por acaso, a sombra de Carpenter, e de "The Thing" em particular, nota-se em algumas cenas -, e serve aqui uma refeição recomendável para apreciadores destas iguarias. Quem tiver estômagos mais sensíveis deve, contudo, optar por menus mais ligeiros.

E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM

quarta-feira, novembro 21, 2007

FUNDO DE CATÁLOGO (6): MULU

Hoje poderão estar no esquecimento, mas há precisamente dez anos um dos seus singles era dos que mais airplay tinha. Foi, de resto, o único tema que fez com que os britânicos Mulu ganhassem algum mediatismo na altura, já que o disco que então editaram, "Smiles Like a Shark", é o seu primeiro e último.

O álbum é também um dos que não resistiu muito bem ao tempo, marcado pelo misto de trip-hop e de uma pop dançável de finais de 90 que, apesar de exibir alguma frescura nesses dias, está agora datado. O tal single, que dá pelo nome de "Pussycat", é continua a ser, mesmo assim, uma canção eficaz e indispensável em qualquer revisitação aos one hit wonders da década passada. Mas nada como recordá-la para tirar as dúvidas, aqui em baixo:


Mulu - "Pussycat" Recordações anteriores

terça-feira, novembro 20, 2007

NOVAS AMEAÇAS NA HISTÓRIA DO COSTUME

"A Invasão" (The Invasion) é a mais recente versão de uma série de filmes iniciada em "Invasion of the Body Snatchers", obra de Don Siegel que se tornou num dos marcos do cinema de ficção científica em 1956 e foi alvo de reinterpretações por parte de Philip Kaufman ("Invasion of the Body Snatchers", 1978) e Abel Ferrara ("Body Snatchers", 1993).
Os filmes tiveram como ponto de partida o livro "The Body Snatchers", de Jack Finney, editado na altura da Guerra Fria, cuja história podia ser vista como metáfora desses tempos, e essa perspectiva política/social manteve-se também nas adaptações cinematográficas, de forma mais ou menos óbvia, sofrendo evoluções ao longo das décadas em que cada versão foi criada.

O mesmo volta a ocorrer neste olhar do alemão Oliver Hirschbiegel, que não desperdiça oportunidades de injectar numa aventura com extraterrestres uma evidente crítica aos comportamentos humanos e à suposta evolução das civilizações, em particular ao potencial que cada um tem para cometer as maiores atrocidades.

Não é novidade que grande parte da ficção científica sempre teve no âmago uma análise a contextos políticos e sociais, por vezes lançando interessantes questões sobre a natureza humana, e se é verdade que "A Invasão" se esforça por empreender um debate não o é menos que essa tentativa resulta num esforço forçado e pouco subtil, que impõe pontos de vista ao espectador em vez de fazer com que este se interrogue.

Este misto de transparência e didactismo não seria muito problemático caso o filme apresentasse doses de criatividade e surpresa que o compensassem, mas pouco acrescenta às versões anteriores, funcionando como mais do mesmo para quem já as conhece e arriscando-se a defraudar as expectativas de quem espera encontrar aqui uma obra de ficção científica que entusiasme e inquiete.

A premissa, centrada numa epidemia onde um microorganismo se insere nos humanos e passa a controlá-los após estes dormirem, poderia estar na origem de bons resultados, e embora Hirschbiegel consiga ofecer alguns eficazes momentos de suspense acaba por perder-se numa narrativa mecânica e formulaica.
Muitas das situações foram já vistas e revistas em filmes da série ou fora dela - a fuga da protagonista com o seu filho faz lembrar a jornada de Tom Cruise e Dakota Fanning em "Guerra dos Mundos", de Spielberg, e perde na comparação -, o desenlace é particularmente apressado e pouco satisfatório e a realização, mesmo sendo sempre competente, não tira o filme do anonimato já que nunca gera sequências memoráveis.

O elenco, à partida um dos elementos apelativos, acaba por não trazer especiais mais-valias, uma vez que nem Nicole Kidman nem Daniel Craig têm grandes personagens para defender e os seus papéis podiam ser interpretados por quaisquer outros. Craig então tem mesmo pouco para fazer, desperdiçando o seu carisma numa figura mal desenvolvida, e Kidman limita-se a servir as etapas do argumento, correndo de um lado para o outro e oscilando entre o pânico e o nervosismo controlado. Curioso, mesmo, só o facto de ambos serem aparentemente invulneráveis a acidentes de viação, ainda que esse aspecto não pareça ser intencional no argumento.

"A Invasão" não chega a ser um filme despiciendo, pois apesar de pouco imaginativo não se torna aborrecido, é escorreito e por vezes interessante de seguir. Contudo, também nunca nunca vai além de uma mediania indistinta, o que é pouco para uma obra que, tanto pela premissa como pelos nomes envolvidos, tinha obrigação de ser mais do que um entretenimento descartável.

E O VEREDICTO É: 2,5/5 - RAZOÁVEL

sábado, novembro 17, 2007

ROCK MELANCÓLICO SERVIDO COM ENERGIA

Em 2005 foram uma das boas surpresas da geração de bandas que revisitou o pós-punk ao longo desta década, servindo em "The Back Room" uma estreia convincente e auspiciosa, devedora de muitas refêrências incontornáveis - Joy Division, Echo and the Bunnymen - ainda que com com uma personalidade já denunciada.
Este ano, os Editors regressaram com "An End Has a Start", um digno sucessor que manteve o carisma de um projecto seguro, não alargando muito os seus horizontes musicais mas cimentando as boas impressões iniciais.

Estes dois registos constituíram o cerne do alinhamento de ontem no Pavilhão do Restelo, onde o jovem quarteto de Birmingham se apresentou pela segunda vez em Portugal após uma breve passagem pelo festival Super Bock Super Rock do ano passado.

Com uma rápida e pontualíssima entrada em palco (precisamente às anunciadas 22 horas), iniciaram o espectáculo com o tema de abertura do disco de estreia, "Lights", sendo imediatamente aplaudidos pelo público que aí preenchia já quase todo o recinto.

O vocalista Tom Smith, que em disco remete para a carga soturna de vocalistas urbano-depressivos da década de 80, exibiu uma vivacidade que contrastou com o tom melancólico da maioria das canções, e subiu para cima do piano logo aos primeiros minutos, gerando uma química com os espectadores que se manteve ao longo da quase hora e meia de concerto.

A banda satisfez tanto em momentos dinâmicos e épicos como "Bones" ou "An End Has a Start" como nos mais contemplativos e serenos "The Weight of the World" ou "When Anger Shows", perdendo pouco tempo com conversas com a audiência - embora Smith não tenha sido parco nos já tradicionais "obrigados" - e oferecendo uma rápida sucessão de temas, praticamente sem pausas, impondo um ritmo que só desacelerou em episódios de alguma monotonia como "Spiders".
Esta e algumas outras canções do segundo álbum, ainda que bem recebidas e muito aplaudidas, perderam na comparação com as do primeiro, que felizmente dominaram grande parte do repertório.

Singles certeiros como "Bullets" ou "Blood" despoletaram uma óbvia resposta emocional do público, e a magnífica "Munich", que ainda é a melhor canção do grupo, foi a responsável pelo pico de intensidade da noite, surgindo numa versão mais longa do que a do disco (sendo também das poucas que se diferenciou do original).

Entre passagens pelos dois discos hove ainda espaço para um inédito, "Banging Heads", e o lado-B "You Are Fading", ambos igualmente bem acolhidos, complementando uma sucessão de consistentes portentos de rock negro ora dançável ora medidativo.
Com uma actuação escorreita e empenhada, os Editors só não entusiasmaram quando a bateria e a guitarra eclipsaram o piano em demasiadas ocasiões, ou quando Smith procurou imitar os trejeitos vocais de Ian Curtis, algo de que não precisou nos discos e que ao vivo soou forçado e balofo, comprometendo o carisma de algumas canções. Não ameaçaram, no entanto, as reacções do público, sempre dedicado e atento, que acompanhou muitas vezes o vocalista e revelou-se um profundo conhecedor da discografia da banda.

A julgar pelo entusiasmo mútuo entre os espectadores e o grupo, os Editors têm carta branca para voltar a Portugal, e espera-se que caso o façam incluam no alinhamento "Camera", um dos melhores temas do primeiro álbum e uma das falhas de uma noite interessante e a espaços tão empolgante como a resposta dos espectadores sugeriu.

Antes do quarteto de Birmingham subir a palco, coube a Mazgani receber o público que foi chegando sem pressas. O músico iraniano, actualmente a residir em Setúbal, levou ao Pavilhão do Restelo o seu álbum de estreia, "Song of the New Heart", substituindo os previstos Boxer Rebellion. Durante pouco mais de meia hora, o cantor e a sua banda obtiveram uma quantidade assinalável de aplausos após uma actuação competente, vincada pela matriz singer songwriter que por vezes lembrou a angústia de um Nick Cave. Não sendo a primeira parte mais óbvia ara um concerto dos Editors, acabou por antecipar eficazmente o rock negro que se seguiu.

E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM


Fotos: Eduardo Santiago

MODELO E DETECTIVE

Tony Scott é muitas vezes acusado pelos seus detractores de contar com uma filmografia onde o estilo esmaga quase sempre a substância, eclipsando personagens e linhas narrativas em prol de uma pirotecnia ostensiva e outras formas de exibicionismo estético.
No entanto, nada que o realizador tenha feito a esse nível se compara com o que apresenta em "Dominó" (Domino), onde hiperboliza essa tendência e leva o seu delírio visual ao limite num filme com tanto de experimental como de megalómano, onde momentos de inspiração surgem lado-a-lado com outros de desnorte criativo.

O ponto de partida já era invulgar q.b., uma vez que o filme pretende ser o biopic de Domino Harvey, uma jovem modelo que trocou a sua vida próspera e confortável por experiências mais extremas ao aderir a um grupo de destemidos caçadores de prémios, que se divertem e ganham a vida a caçar criminosos em fuga.
O facto do argumento ser assinado por Richard Kelly, o realizador do filme de culto "Donnie Darko", indicia que esta será uma obra pouco convencional, e a embalagem em que Scott a envolve só o confirma, atirando-a para a categoria de onvis cinematográficos, um objecto intrigante e inclassificável mas não necessariamente conseguido.

Não falta ambição ao projecto, que de resto pode ser confirmada na lista de ilustres (ou não tanto) que integram o elenco: além da protagonista Keira Knightley e do renascido Mickey Rourke, também Christopher Walken, Lucy Liu ou Mena Suvari marcam presença, embora o mais inesperado seja ver, no mesmo filme, gente tão díspar como Macy Gray, Jerry Springer(!), Tom Waits(!!) ou Brian Austin Green e Ian Ziering, dois actores de "Beverly Hills 90210" que fazem deles próprios(!?!).

Para além de incluir tantos nomes aparentemente incompatíveis, "Dominó" é igualmente arrojado ao apostar numa narrativa que atira em várias direcções, o que se por um lado pode ser desafiante aqui torna-se mais confuso e cansativo, já que Scott parece não saber distinguir o essencial do acessório.
Assim, o filme não é tanto sobre os dilemas da protagonista mas antes uma sátira ao lixo televisivo dos últimos anos, escolhendo alvos fáceis como séries juvenis ou reality shows.
Ou se calhar é sobre as diferenças étnicas, culturais e sociais e das injustiças que a elas estão ligadas, tornando válido um jogo de vale tudo quando encetado a favor da defesa dos mais frágeis e inocentes.
Ou talvez não queira ser nada disso, contentando-se em funcionar como um concentrado pós-moderno que quase dilui as fronteiras entre a linguagem cinematográfica e a do videoclip - o que nem é inédito na filmografia do realizador, vincada pelos recorrentes planos curtos e montagem hiperactiva.

No meio de garridos borrões de cor tão omnipresentes e intrusivos como a voz off da protagonista (que não se cansa de repetir muitas frases), assim como da constante mudança de azimutes do argumento, não há grandes hipóteses de sair daqui um resultado consistente, o que faz de "Dominó" um filme que está quase sempre na corda bamba entre o brilhantismo e a banalidade, sem que se mova definitivamente para um dos lados.

Os actores são pouco mais do que bonecos de papelão e em nenhum momento ganham especial interesse, sobretudo quando, lá para o final, Scott tenta fazer passar a protagonista e amigos por bons samaritanos numa jogada manipuladora que só conquistará os mais ingénuos. Knightley interpreta uma ex-modelo supostamente bad girl mas não lhe retira a postura mimada e snob, numa interpretação com mais pose do que intensidade e que se assemelha a um cruzamento dos trejeitos de Tank Girl e Posh Spice - e infelizmente longe do assinalável magnetismo que atingiu em "Orgulho e Preconceito", de Joe Wright.

"Dominó" tem então potencial para irritar quem já não era adepto do estilo de Scott, mas quem não depositar aqui expectativas muito elevadas ainda pode divertir-se com o descaramento de alguns momentos e com o tubo de ensaio estético que ocasionalmente gera sequências hipnóticas. E mesmo sendo um filme inconsequente e parcialmente falhado, este tem o mérito de arriscar mais do que a maioria dos produtos made in Hollywood, o que já é motivo para que mereça alguma atenção.

E O VEREDICTO É: 2,5/5 - RAZOÁVEL

quinta-feira, novembro 15, 2007

ESTREIA DA SEMANA: "CONTROL"

Chega finalmente a salas nacionais "Control", estreia na realização de longas-metragens de Anton Corbijn, o inimitável fotógrafo que já deixou uma forte marca na imagem dos Depeche Mode ou U2. Aqui o foco são os Joy Division, em particular o vocalista Ian Curtis, num biopic que relata os episódios que antecederam o seu suicídio, em 1980. Sam Riley e Samantha Morton são os protagonistas de uma das principais estreias da recta final de 2007. A banda-sonora vale muito a pena, e espera-se que o filme também.

Outras estreias:

"Across the Universe", de Julie Taymor
"Beowul 3D Digital", de Robert Zemeckis
"Delírios", de Tom DiCillo
"E Não Viveram Felizes Para Sempre", de Paul Bolger e Yvette Kaplan
"Gangster Americano", de Ridley Scott
"Nomad - A Profecia do Guerreiro", de Sergei Bodrov e Ivan Passer



Trailer de "Control"

quarta-feira, novembro 14, 2007

FESTEJOS SEM CERIMÓNIAS

No último concerto da digressão de "Edição Ilimitada", o seu quarto álbum de originais, a anteceder o lançamento de "Matéria Prima", restrospectiva da banda a editar no início de 2008, os Mind da Gap recordaram quinta-feira na Aula Magna momentos das várias fases da sua carreira.

Acolhido por fãs acérrimos, recém-convertidos e alguns curiosos, o trio de Ace, Presto e Serial não demorou muito a lançar ondas de energia pela sala, desafiando o público, incitando-o a dançar e a não permanecer sentado em várias ocasiões. O convite foi sempre correspondido, o que fez com que, embora o recinto estivesse apenas com cerca de metade da lotação, o concerto nunca tenha perdido o ritmo, mantendo um dinamismo regular do início ao fim.

Contudo, se não houve momentos mortos, também não foram muitos os memoráveis, em parte devido ao alinhamento, com temas demasiado semelhantes, mas também ao som, que não deixou que as palavras disparadas por Ace e Presto fossem sempre perceptíveis.
Isto não pareceu incomodar a maioria dos que lá estiveram, já que os aplausos foram constantes, os pedidos de músicas também, e o bom-humor dos dois MCs encarregou-se de gerar vários episódios curiosos. Ace foi especialmente mordaz em breves comentários ao cenário político ou ao entretenimento televisivo, conquistando a adesão imediata do público, ao qual dirigiu diversos agradecimentos.

Ao longo de duas horas, o grupo portuense ofereceu um medley com alguns dos seus principais temas, convidou Maze, dos Dealema, para duas colaborações e revisitou os seus quatro álbuns de originais, não esquecendo canções obrigatórias como "Falsos Amigos" ou "Todos Gordos", intercaladas por êxitos mais recentes como "Não Stresses" ou "Tilhas? São Sapatilhas".
O já velhinho "Dedicatória", primeiro single do disco de estreia, "Sem Cerimónias" (que celebra dez anos), foi um dos pontos altos, confirmando-se ainda como um tema essencial do hip-hop feito por cá, e será o cartão de visita da compilação "Matéria Prima".

Com a química entre banda e público a compensar alguma falta de surpresas ou rasgos, a actuação chegou para atestar a boa forma dos Mind da Gap e terá sido uma oportunidade para alguns dos espectadores se terem inciado nos concertos - a julgar pela faixa etária de muitos e pelo facto de outros tantos terem começado a sair antes do encore. Espera-se que hajam outras, tanto para o público como para o grupo.

E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM




Entrevista aos Mind da Gap

segunda-feira, novembro 12, 2007

VIAGEM AO SUBMUNDO LONDRINO

Depois de "Uma História de Violência" ter assinalado um considerável ponto de viragem na sua filmografia, David Cronenberg mantém essa tendência em "Eastern Promises", outra obra longe dos universos alucinantes e bizarros pelos quais se notabilizou tanto numa fase inicial, em títulos como "Scanners" ou "A Mosca", como em anos mais recentes, em "eXistenZ" ou "Spider".

Isto não implica, contudo, que o seu novo filme esteja desprovido de fortes marcas identitárias, uma vez que desde o início que a narrativa mergulha numa atmosfera sinuosa e inquietante, e à medida que se vai desenvolvendo a acção abre espaço para a exploração de temas recorrentes do cineasta canadiano, sejam questões relacionadas com o corpo e as suas alterações, sejam os interstícios mais negros da esfera humana e a forma como a violência regula relações.

Embora invista ainda em temáticas familiares, "Eastern Promises" surpreende pelo realismo dos cenários, personagens e situações, e arrisca-se a ser mais perturbante do que outros filmes do realizador, assentes nas fronteiras entre domínios do terror e da ficção científica.
Ambientado nos recantos mais obscuros de Londres, este cruzamento de thriller e drama centra-se numa enfermeira que, após ter ajudado a dar à luz uma bebé cuja mãe adolescente morreu no parto, tenta encontrar a sua família tendo como única pista um diário.
A sua busca leva-a a contactar com alguns elementos da máfia russa, já que a jovem que ajudou era vítima de uma rede de prostituição de leste, e a situação complica-se quando o dono de um restaurante que lhe propõe ajuda parece, afinal, ter mais interesse no diário do que o aparente altruísmo inicial sugeria. O circunspecto motorista deste acaba por ser uma peça essencial no jogo de forças que então se impõe, proporcionando algumas das principais surpresas da narrativa.

Cronenberg recorre a um argumento de Steve Knight, o mesmo autor do de "Estranhos de Passagem", filme de Stephen Frears que oferecia outro pungente olhar sobre o submundo londrino, e a precisão milimétrica com que desenha retratos de conflitos ambíguos é um dos trunfos de "Eastern Promises". Outro é a fotografia de Peter Suschitzky, que muito contribui para a criação de uma intrigante energia visual, reforçando a aspereza e verosimilhança dos por vezes claustrofóbicos cenários urbanos que aqui são percorridos.

Aliados à segura realização, capaz de servir algumas cenas de antologia - como as dos (literalmente) cortantes momentos iniciais ou de uma sequência de combate num balneário -, estes elementos concedem ao filme um assinalável equilíbrio, felizmente complementado pela apurada direcção de actores.

Viggo Mortensen apresenta aqui um dos seus melhores desempenhos, mais conseguido do que o de "Uma História de Violência", conferindo densidade a uma personagem enigmática e envolvente. Naomi Watts também não desaponta como enfermeira obstinada, ainda que nao se desvie muito do seu registo habitual, Vincent Cassel oscila entre o frágil e o histriónico numa das personagens mais surpreendentes, e o veterano Armin Mueller-Stahl é apropriadamente austero e nebuloso.

Coeso e absorvente, "Eastern Promises" não chega a ser arrebatador devido a um desenlace algo abrupto, fechando demasiado cedo uma história que talvez ganhasse com mais alguns minutos - a personagem de Watts, por exemplo, poderia ter sido mais desenvolvida. Ainda assim, é um filme acima da média e o melhor do cineasta em muitos anos, demonstrando que, não obstante alguns altos e baixos na sua obra, Cronenberg continua a ser um realizador singular e um atento observador do mundo de hoje.


E O VEREDICTO É: 3,5/5 - BOM

"Eastern Promises" é exibido nesta terça-feira pelas 16h30 no Cinema Villa, em Cascais, no âmbito do European Film Festival

sábado, novembro 10, 2007

26

E pronto, a barreira do quarto de século foi ultrapassada, e já me encontro mais perto dos 30 do que dos 20. Mas mesmo estando a aproximar-me da suposta crise que daí advém, enquanto tiver gente como a Shirley, a Björk ou as meninas das Cibo Matto a cantar para mim, vou continuar a festejar:



Sugarcubes - "Birthday"



Garbage - "When I Grow Up"



Cibo Matto - "Birthday Cake"