domingo, dezembro 31, 2006

FELIZ ANO NOVO!

Para não variar, ainda não foi desta que consegui publicar aqui as listas de melhores filmes do ano antes deste terminar. Enfim, talvez da próxima. Entretanto, podem recordar 2006 aqui e, para iniciar 2007 de forma apropriadamente festiva, deixo esta sugestão para a banda-sonora do reveillon:

Kylie Minogue - "Come Into My World (Fischerspooner Mix)"

FOTOGRAMAS DE 2006 (VIII)

"Ninguém Sabe", de Hirokazu Kore-eda

POSTO DE ESCUTA: MÚSICA DE 2006

Embora tenha gostado de alguns discos de 2006 - dos Cansei de Ser Sexy, Yeah Yeah Yeahs, The Knife,... -, este não foi um ano que me trouxe álbuns apaixonantes, daí que, em altura de balanços, faça mais sentido destacar canções. Aqui ficam dez que ouvi com regularidade:

A Naifa - "Monotone"
Cansei de Ser Sexy - "Bezzi" (ou "Acho Um Pouco Bom", ou "Computer Heat", ou...)
Ellen Allien & Apparat - "Jet"
Justin Timberlake - "My Love" (ou como uma canção quase salva um álbum)
Muse - "Map of the Problematique"
Nelly Furtado - "Say It Right"
The Knife - "Like a Pen"
Tiga - "3 Weeks"
TV on the Radio - "Playhouses"
Yeah Yeah Yeahs - "Cheated Hearts"

Nos palcos, vou lembrar-me da brilhante actuação de Kode 9 & Spaceape no Festival Roots & Routes, da muito boa estreia em Portugal dos Strokes, no Lisboa Soundz, e, mais pelas canções do que propriamente o concerto, do regresso dos Pixies.

The Knife - "Like a Pen"

sábado, dezembro 30, 2006

FOTOGRAMAS DE 2006 (VII)

"A Senhora da Água", de M. Night Shyamalan

sexta-feira, dezembro 29, 2006

7 BLOGUES, 6 ESTREIAS, 5 ESTRELAS?

Mais um mês, mais filmes, mais classificações.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

ESTREIA DA SEMANA: "BABEL"

Depois de uma promissora estreia na realização com "Amor Cão" e de uma não menos convincente segunda obra, "21 Gramas", Alejandro González Iñárritu regressa com a sua terceira longa-metragem, "Babel".
Apostando novamente numa estrutura narrativa em mosaico, seguindo várias histórias em simultâneo, este olhar sobre a família, a solidão e as barreiras da comunicação é um sério candidato a última grande estreia do ano. Brad Pitt, Cate Blanchett e Gael García Bernal (actor que Iñárritu ajudou a revelar) são alguns dos nomes de um elenco apelativo, num filme a descobrir a partir de hoje.

Outras estreias:

"Agente 117", de Michel Hazanavicius
"As Tartarugas Também Voam", de Bahman Ghobadi
"Escola Para Totós", de Todd Phillips
"Funcionário do Mês", de Greg Coolidge
"O Pacto", de Renny Harlin
"O Terceiro Passo", de Christopher Nolan

quarta-feira, dezembro 27, 2006

FOTOGRAMAS DE 2006 (VI)

"Em Paris", de Christophe Honoré

domingo, dezembro 24, 2006

FELIZ NATAL ;)


David Fonseca - "Little Drummer Boy"


Madonna - "Love Profusion (Head Cleaner Rock Mix)"

FOTOGRAMAS DE 2006 (V)

"Munique", de Steven Spielberg

UM HOMEM NO CAMPO

Nos últimos anos, Ridley Scott tem apostado em filmes que o confirmam como um dos mais versáteis realizadores em actividade, constituindo uma obra que engloba títulos de vários géneros, mas essa diversidade não tem oferecido, infelizmente, propostas especialmente estimulantes. Do sobrevalorizado "Gladiador" ao desequilibrado "Hannibal", passando pelo inconsequente "Cercados" ou pelo malogrado "Reino dos Céus", não lhe têm faltado projectos com potencial, embora a execução dos mesmos não chegue a ascender a um nível acima da mediania.

"Um Ano Especial" (A Good Year) é mais uma prova do eclectismo de Scott e causa alguma surpresa devido à sua escassa ambição, combinando drama e comédia para contar uma história convencional sem grandes pretensões, não aspirando a mais do que um exercício essencialmente lúdico.

O motor da narrativa é a herança, por parte de um bem-sucedido homem de negócios inglês, de uma propriedade localizada em Provença, deixada pelo tio deste, recentemente falecido e com o qual manteve uma relação próxima durante a infância. A notícia leva-o a deixar por alguns dias a Bolsa de Londres e a viajar até à localidade francesa onde, à medida que a sua estadia vai tendo uma duração mais longa do que a esperada, a sua decisão inical, vender a propriedade, vai sendo reavaliada, em parte devido às acolhedoras memórias do local que vão despontando, mas também por um interesse amoroso que surge inesperadamente.

Uma premissa pouco ousada e inovadora, portanto, que mais não faz do que reaproveitar o conflito entre a consumação do amor e a prosperidade profissional ou a dicotomia campo/cidade, realçando a pureza e serenidade do primeiro e o misto de hipocrisia e competitividade que infecta a segunda.
Esta associação, simplista e redutora, quando associada à tentativa do protagonista se tornar "numa pessoa melhor" redefinindo as suas prioridades, parece sugerir que "Um Ano Especial" se resume a uma colecção de lugares-comuns (como o foi, por exemplo, o recente "Um Homem na Cidade", de Mike Binder).
Ora se é verdade que os clichés estão lá, reconheça-se que o filme não é assim tão meloso e forçado, enveredando por um bem-comportado tom agridoce que nunca faz desta uma experiência cinematográfica acima do aceitável mas também não a torna num objecto a recusar por completo.

Visualmente, Scott volta a suportar-se numa linguagem próxima da publicitária (meio de onde provém), com as suas qualidades (a caracterização dos sofisticados ambientes londrinos, com uma envolvente combinação de azuis e cinzentos) e excessos (o olhar sobre Provença raramente vai além do postal ilustrado, abusando do exibicionismo e de uma carga bucólica pouco genuína, a lembrar alguns anúnicos de vinho, azeite e afins).
A mistura de comédia e drama também tem altos e baixos, dado o humor demasiado brando e a ténue densidade emocional; e Russel Crowe, no papel protagonista, não se sai especialmente bem na conciliação dos dois registos. As melhores interpretações do filme pertencem, aliás, a quem tem menos tempo de antena, casos do veterano Albert Finney e do jovem Freddie Highmore (a promessa de "À Procura da Terra do Nunca" e "Charlie e a Fábrica de Chocolate"), respectivamente tio e sobrinho nos ocasionais flashbacks. Destaque ainda para uma Abbie Cornish em busca de internacionalização depois de "Salto Mortal" e "Candy", insinuante mas com menos carisma do que nesses dois filmes.

Ainda não é com "Um Ano Especial" que Ridley Scott volta a assinar um filme obrigatório, mas admita-se que, embora seja uma obra menor e não mude a vida de ninguém (tirando, claro, a do protagonista), cumpre minimamente aquilo que se propõe, oferecendo duas horas agradáveis e despretensiosas. Não é muito, mas não podia pedir-se muito mais a um feelgood movie.
E O VEREDICTO É: 2,5/5 - RAZOÁVEL

quinta-feira, dezembro 21, 2006

ESTREIA DA SEMANA: "AMOR SUSPEITO"

"Amor Suspeito" (La Moustache) tem como elemento determinante um acto aparentemente banal: Marc, o protagonista, decide rapar o bigode que usa há anos. No entanto, o seu dia-a-dia começa a tornar-se cada vez mais inquietante à medida que ninguém, nem mesmo a sua esposa, parece lembrar-se que ele já teve bigode.
Protagonizado por Vincent Lindon e Emmanuelle Devos, este drama de Emmanuel Carrère é uma das estreias mais promissoras do final de 2006. Não terá muito a ver com a época natalícia, mas é capaz de ser mais interessante do que grande parte da concorrência.

Outras estreias:

"20,13 - Purgatório", de Joaquim Leitão
"Déjà Vu", de Tony Scott
"Um Vizinho a Apagar", de John Whitesell

FOTOGRAMAS DE 2006 (IV)

"O Tempo que Resta", de François Ozon

(até agora estas escolhas, para além dos melhores filmes, parecem contemplar também os melhores abraços, mas prometo ser mais ecléctico nas próximas)

ANO NOVO, EQUIPA NOVA?

Para o Quarteto Fantástico parece ser assim, pelo menos segundo algumas previews que já circulam pela net e que indicam que Tempestade e Pantera Negra (o novo casal-sensação da Marvel) substituirão o Senhor Fantástico e a Mulher Invisível.

Hum, será que a Halle Berry fez mais exigências contratuais e que agora quer papéis noutros filmes de equipas de super-heróis, para além dos X-Men?? Pobres fãs da Jessica Alba...

quarta-feira, dezembro 20, 2006

SONHOS EFÉMEROS

Quando, há dois anos, o francês Michel Gondry realizou a sua segunda longa-metragem, “O Despertar da Mente”, não foram poucos os que a consideraram – e justamente – um dos filmes nucleares da primeira metade da década, aliança perfeita entre comédia delirante e drama envolvente, um prodígio de escrita que, combinada com uma peculiar identidade visual e um elenco irrepreensível, deixou muita expectativa quanto às futuras obras do realizador.

“A Ciência dos Sonhos” (La Science des Rêves) tem agora a tarefa ingrata de ser o seu título sucessor e deixa claro que, embora apresente algumas qualidades, está muito abaixo da excelência, ou mesmo de um nível acima da média, ficando longe de ser um marco da década ou sequer do ano.
Reconheça-se que Gondry continua a apostar num trabalho de realização pessoal e imaginativo, herdeiro do cruzamento de minimalismo e surrealismo pelo qual já se havia destacado nos videoclips que dirigiu antes de testar os domínios da sétima arte. O que falta, e de que maneira, é um argumento que consiga coordenar o experimentalismo visual (por vezes brilhante), e sobretudo dar alma às personagens, ou não tivessem sido estas que ajudaram a que “O Despertar da Mente” criasse um raro e difícil elo emocional com o espectador.

A superficial carga dramática é especialmente frustrante uma vez que desperdiça um sólido elenco, não tanto no caso dos protagonistas, mas gritantemente no dos secundários, onde constam, entre outros, Alain Chabat, Aurélia Petit, Sacha Bourdo ou Miou Miou, com pouco ou nada para fazer. Já Gael García Bernal destila carisma na pele de um ilustrador que viaja para Paris, consegue um emprego menos estimulante do que esperava e que entretanto se apaixona pela vizinha do lado, interpretada por uma competente Charlotte Gainsbourg. A dupla resulta bem, mas também prova que a superlativa química partilhada por Jim Carrey e Kate Winslet não é para todos.

Se no filme anterior o motor da acção era a memória, aqui é o universo dos sonhos, cuja abordagem é inventiva e refrescante nos primeiros minutos mas não consegue aguentar-se perante uma acção elíptica e pouco surpreendente. A alternância entre sequências reais e oníricas é curiosa e faria maravilhas num videoclip, mas a forma como é trabalhada aqui não contém trunfos que sustentem uma hora e meia imune a desequilíbrios.

Nota-se, portanto, a ausência da escrita de Charlie Kaufman, e apesar de “A Ciência dos Sonhos” seguir o template edificado pelo argumentista, Gondry nunca consegue ser mais do que um esforçado, embora irregular imitador. Será injusto, mesmo assim, acusá-lo de oferecer aqui um mau filme, pois se este não deixa de ser uma semi-desilusão ainda contém vários momentos meritórios que compensam as suas falhas.
É pena, contudo, que aquilo que acaba por ser uma brincadeira com alguma piada, candura e excentricidade nunca chegue a aproximar-se do objecto admirável e encantador que “A Ciência dos Sonhos” poderia ter sido. Resta esperar que da próxima Gondry acorde mais inspirado.
E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM

segunda-feira, dezembro 18, 2006

FOTOGRAMAS DE 2006 (III)

"Voltar", de Pedro Almodóvar

sábado, dezembro 16, 2006

2006: A SPACE ODISSEY

Com um atraso de dois meses, lá entreguei ao Spaceboy a compilação que gravei para ele. Como não lhe enviei o alinhamento, deixo-o aqui. Acertaste muitas, João?

DJ Shadow - Six Days (Soulwax Remix)
Orbital - Oi
Flunk - Kebab Shop 3 AM
Mirwais - I Can't Wait
Madonna - Nobody Knows Me (Mount Sims Old School Mix)
Sugababes - It Ain't Easy
Justin Timberlake - My Love (DFA Mix)
Annie - Heartbeat
Cansei de Ser Sexy - Let's Make Love and Listen Death From Above
Bloc Party - Like Eating Glass (Ladytron Zapatista Mix)
Interpol - Stella Was a Diver and She Was Always Down
12 Rounds - Another Day
The Smashing Pumpkins - Never Let Me Down
Mirah - Jerusalem
Rádio Macau - À Distância do Meu Grito
UNKLE - Celestial Annihilation

Annie - "Heartbeat"

quinta-feira, dezembro 14, 2006

ESTREIA DA SEMANA: "O AMOR NÃO TIRA FÉRIAS"

Numa semana de poucas estreias, e nenhuma especialmente estimulante, o destaque vai, ainda assim, para "O Amor Não Tira Férias" (The Holiday), o mais recente filme de Nancy Meyers, que parece não querer largar o formato da comédia romântica (o público também não tem reclamado até agora, tanto em "O Que as Mulheres Querem" como em "Alguém Tem que Ceder", que sempre foram melhores do que "Pai Para Mim... Mãe Para Ti"). Só pelo elenco - Kate Winslet, Jack Black, Cameron Diaz e Jude Law - já merece o benefício da dúvida, e um feelgood movie de vez em quando, sobretudo em época natalícia, não faz mal a ninguém.

Outras estreias:

"Artur e os Minimeus", de Luc Besson
"Eragon", de Stefen Fangmeier

quarta-feira, dezembro 13, 2006

FOTOGRAMAS DE 2006 (II)

"O Segredo de Brokeback Mountain", de Ang Lee

BEM-VINDO A SARAJEVO

Premiado com o Urso de Ouro na mais recente edição do Festival de Berlim, "Filha da Guerra" (Grbavica) marca a estreia de Jasmila Zbanic na realização e, embora não exiba méritos que o incluam na lista de objectos cinematográficos ímpares, é bem sucedido na sua proposta de apresentar um olhar sobre o legado da Guerra dos Balcãs em Sarajevo.

O filme foca a tensa relação entre uma mãe solteira e a sua filha adolescente e através destas vai gerando, de forma sempre sóbria e controlada, o retrato de um quotidiano onde os fantasmas de um passado recente ainda se encontram bem visíveis, tendo deixado várias marcas por cicatrizar.

A realização de Zbanic, de forte travo realista, aproxima-se por vezes de algum cinema documental, e apesar de não exibir particulares sinais de originalidade ou traço autoral é bastante eficaz no verismo que consegue injectar na definição de espaços e ambientes, fazendo-o de um modo francamente mais estimulante do que, por exemplo, o desapontante "Diários da Bósnia", de Joaquim Sapinho.

A abordagem do relacionamento entre a mãe a filha é igualmente consistente, porém também não muito inventiva, uma vez que a fricção que se vai adensando entre as duas, motivada pelas questões que a segunda coloca acerca da identidade do pai, já foi vista em muitos outros dramas ("Aos Doze e Tantos", de Michael Cuesta, é um dos casos mais recentes), e é aqui desenvolvida sem muitas surpresas. A revelação final é, de resto, logo sugerida por algumas cenas dos primeiros minutos, mas felizmente não coloca em causa a forte carga dramática que o filme vai tecendo até lá.

Dispensando rodriguinhos fáceis e recusando transformar as suas personagens em meras vítimas, "Filha da Guerra" contém uma saudável secura emocional, não deixando por isso de ser uma obra comovente. Para além do equilíbrio que Zbanic demonstra, parte do mérito é também das duas actrizes principais, Mirjana Karanovic e Luna Mijovic, exemplares na construção de protagonistas tridimensionais e palpáveis, que ajudam a reforçar a assinalável verosimilhança do projecto. Motivos mais do que suficientes, então, para não se passar ao lado deste pequeno filme, discreto e honesto como poucos.
E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM

segunda-feira, dezembro 11, 2006

FOTOGRAMAS DE 2006 (I)

"Match Point", de Woody Allen