sábado, outubro 08, 2005
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Em Dezembro de 2004 o gonn1000 ultrapassou a marca dos 1000 visitantes, recordou o já clássico filme indie "Ghost World - Mundo Fantasma" e recomendou o igualmente interessante "Má Educação", a nova provocação de Almodóvar, assim como outros dois belos olhares cinematográficos sobre as relações amorosas: "We Don't Live Here Anymore - Desencontros" e o carismático "Antes do Anoitecer".
A selecção musical da quadra natalícia ficou por conta dos convincentes concertos dos The Gift e do sueco Jay Jay Johanson.
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Em Novembro de 2004, foi altura de festejar o meu 23º aniversário, rir no teatro com "Celadon", dedicar alguma atenção à série televisiva "Anjos na América" e a duas pérolas cinematográficas: "O Despertar da Mente" e "A Vila".
Placebo e Gus Gus foram algumas das bandas com discos em rotação privilegiada e Elysian Fields, Tim Booth e Rufus Wainwright asseguraram uma boa dose de concertos memoráveis. Nas letras, destaque para Richard Ford e Michael Cunningham.
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quinta-feira, outubro 06, 2005
FUSÃO URBANA
Para o grande público, Neneh Cherry ficará sempre associada, sobretudo, a duas canções, "Seven Seconds", o célebre dueto com Youssou N' Dour, e o não menos mediático "Woman", mas a sua discografia comprova que o seu talento para a composição e interpretação não se esgota nesses dois hits.
O seu disco de estreia, "Raw Like Sushi", foi editado em 1989 mas antecipava já, devido à sua criativa mistura de pop, funk, hip-hop, electrónica, soul e R&B, muitas das fusões sonoras que os anos 90 proporcionariam. "Homebrew", o álbum sucessor, de 1992, voltou a apostar numa saudável mescla de elementos, mantendo a vertente ecléctica e abrangente do registo anterior.
Mais sóbrio e intimista do que o trabalho de estreia, "Homebrew" é, à semelhança deste, um disco vincado por sonoridades urbanas, e as letras apresentam reflexões acerca do quotidiano citadino, debruçando-se sobre a violência das ruas, o materialismo, a solidão, as relações humanas ou o contacto com as drogas.
O disco conta com alguns convidados respeitáveis, tanto na interpretação (casos de Guru, dos Gang Starr; e Michael Stipe, dos R.E.M.) como na composição (Geoff Barrow, que viria a fundar os Portishead; e Lenny Kravitz), presenças que contribuem para a diversidade que "Homebrew" apresenta.
Embora as canções próximas de linguagens hip-hop/R&B/soul, como "Sassy" ou "Money Love", sejam competentes, são mais convencionais do que os momentos onde Cherry explora as electrónicas, pois é principalmente nestas últimas que "Homebrew" conquista e arrebata.
"Move With Me" é uma belíssima balada que condensa intensidade emocional sem recorrer a truques fáceis, "Somedays" oferece uma voz em grande forma aliada a atmosferas soturnas e sofisticadas, "Peace in Mind" convence pela cativante tranquilidade etérea e "Red Paint" encerra o disco da melhor forma com um perspicaz e comovente olhar sobre a violência e indiferença do dia-a-dia das grandes cidades.
Para além de excelentes, estas quatro canções são também decisivas por exibirem contaminações de um dos géneros musicais que viria a ser determinante na década de 90: o trip-hop, posteriormente desenvolvido por nomes como os Massive Attack (que editaram o seminal "Blue Lines" alguns meses antes da edição de "Homebrew"), Portishead ou Tricky mas que encontra aqui algumas das suas raízes.
Para tal não será alheia a contribuição de Geoff Barrow, pois o tema em que participou, "Somedays", contém ambientes semelhantes aos que caracterizariam as canções dos Portishead, a banda que integrou alguns anos depois.
"Homebrew" é um daqueles discos esquecidos que, não sendo uma obra-prima (o nível qualitativo das composições é irregular, mas nunca abaixo do muito aceitável), continua actual, refrescante e a espaços brilhante, o que não é algo que se possa dizer acerca de todos os discos, muito menos acerca daqueles que, como este, foram editados há mais de dez anos...
E O VEREDICTO É: 3,5/5 - BOM
quarta-feira, outubro 05, 2005
VÔOS DA MEIA-NOITE
Destacando-se pela sua competente filiação no género do terror - originando títulos marcantes como "Pesadelo em Elm Street" ou "Gritos" -, Wes Craven não tem gerado, nos últimos anos, projectos que reproduzam a boa recepção de público e de crítica que alguns dos seus títulos mais emblemáticos despoletaram (os mais recentes "Melodia do Coração" e "Cursed" decretaram, para muitos, o declínio do cineasta).
"Red Eye", o seu novo filme, junta dois dos jovens actores mais promissores de Hollywood, Rachel McAdams (que integra o elenco da mediática comédia "Os Fura-Casamentos") e Cillian Murphy (com provas dadas em "28 Dias Depois", "Intervalo" ou "Batman: O Início"), e herda características da série-B ao apostar em modestos meios de produção, num argumento simples e numa narrativa escorreita, oferecendo um concentrado de thriller onde o terror habitualmente associado ao realizador é sobretudo psicológico.
A película centra-se num dos muitos vôos nocturnos (conhecidos como red eye), em particular em dois dos seus passageiros: Lisa, uma jovem gerente de hotel, e Jackson, um simpático e atraente colega de vôo com quem trava conhecimento.
Apesar dos momentos iniciais entre os dois protagonistas serem leves e divertidos, marcados por uma aparente empatia mútua, essas primeiras impressões não se comprovam como as mais fidedignas pois Jackson revela a Lisa que o seu encontro nada teve de casual, uma vez que ela faz parte, ainda que não o saiba, de um intrincado plano para eliminar um elemento do governo americano.
Para que a missão de Jackson seja bem sucedida, Lisa terá de seguir uma série de instruções, e caso se recuse a fazê-lo o seu pai será morto.
Durante uma considerável parte do filme, Craven consegue fazer com que esta premissa resulte, uma vez que a relação que os dois protagonistas desenvolvem durante a viagem de avião contém doses suficientes de imprevisibilidade e tensão, desencadeando cenas intrigantes e claustrofóbicas onde cada minuto conta e qualquer interferência (nomeadamente a de outros passageiros) poderá ser decisiva.
Executando um hábil exercício de estilo, equilibrando bem a gestão do suspense e assinalando uma sólida direcção de actores (Cillian Murphy acentua a presença inquietante exposta em "Batman: O Início" e Rachel McAdams surpreende combinando carisma e vulnerabilidade), o realizador proporciona um apropriadamente desconfortável vôo pleno de intensidade.
Infelizmente, a consistência do filme decresce abruptamente nos últimos vinte minutos, quando as personagens saem do avião e a acção pouco mais faz do que limitar-se a seguir os estafados clichés dos famigerados slasher movies, na linha dos muitos subprodutos que se inspiraram na trilogia "Gritos".
Assim, em vez de um desenlace vertiginoso que se esperava, "Red Eye" termina de forma pouco verosímil e ainda menos inspirada, e quem sofre com isso, para além do espectador, são os dois protagonistas, que perdem os traços de credibilidade que mantinham até então e tornam-se em meros joguetes descaracterizados (a personagem de Murphy é a mais debilitada, passando de soturna a patética).
Os momentos finais do filme não chegam a arrasá-lo por completo, mas é pena que boas sequências de suspense fiquem assim subaproveitadas numa película que, apesar de possuir bons ingredientes, fica presa a uma desapontante mediania.
Em todo o caso, "Red Eye" é ainda uma interessante experiência cinematográfica, mesmo que nunca atinja os altos vôos que algumas das suas cenas sugerem...
E O VEREDICTO É: 2,5/5 - RAZOÁVEL
GRANDE NOITE
"Noite Escura", de João Canijo, é o filme que representará Portugal na fase de selecção dos cinco títulos nomeados para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro referente à produção de 2005.
Uma escolha justa, ou não fosse este o melhor filme português dos últimos anos, um denso e portentoso retrato das relações familiares e de alguns dos ambientes mais obscuros e inóspitos do país.
terça-feira, outubro 04, 2005
CANÇÕES DE ENCANTAR
Projecto paralelo de Ben Gibbard (dos Death Cab for Cutie) e Jimmy Tamborello (dos Dntel), os Postal Service contam ainda com a colaboração das cantoras Jenny Lewis e Jen Wood e oferecem no álbum de estreia "Give Up", de 2003, uma estimulante e envolvente mistura de indie pop e electrónica, uma amálgama que não é propriamente original mas que é aqui concebida de forma singular e muito inspirada.
O processo de criação do disco foi algo atípico, pois Gibbard e Tamborello trabalharam separadamente, o primeiro ocupando-se das vozes e letras e o segundo da componente electrónica, trocando as suas ideias através do correio (daí a origem do nome do grupo).
O resultado desta experiência teve frutos bem profícuos, pois "Give Up" é um álbum invulgarmente convincente e cativante, reunindo a sensibilidade e carga emocional associada às composições e prestação vocal de Gibbard (que já havia sido comprovada nos muito estimáveis Death Cab for Cutie) e o experimentalismo digital das texturas electrónicas criadas por Tamborello.
Embora contenham uma considerável carga electrónica, os temas de "Give Up" não possuem a frieza e a marca excessivamente maquinal que por vezes contamina essas esferas (como no electroclash, por exemplo), mas mantêm, ainda assim, um forte apelo dançável que se combina espontaneamente com a densidade emocional proporcionada pela voz encantatória e angelical de Gibbard - acompanhada, a espaços, pelas de Jenny Lewis e Jen Wood -, capaz de tornar sublimes versos como "I want so badly to believe that there is truth, that love is real", que se interpretados por outro cantor poderiam soar a banalidades imberbes.
Interligando melancolia, inocência, esperança e introspecção com uma genuinidade comovente, canções como o muito catchy single "Such Great Heights", a belíssima e etérea "Brand New Colony", a claustrofóbica "This Place is a Prison" (o momento mais denso do disco), a uplifting "We Will Become Silhouettes" ou a irresistível "Clark Gable" (com um viciante bater de palmas incapaz de deixar alguém indiferente) são deliciosas pérolas pop de um álbum consistente, com tanto de melódico como de desafiante.
Um dos grandes discos não só de 2003 mas dos últimos anos, "Give Up" peca apenas por ser um pouco curto e não muito heterogéneo (as atmosferas das canções nunca se tornam cansativas, mas são demasiado semelhantes, e o disco talvez se tornasse ainda melhor se fosse mais ecléctico).
Tirando estas pequenas limitações, a estreia dos Postal Service é uma brilhante e muitíssimo agradável proposta de uma reluzente pop electroacústica que não merece passar despercebida.
segunda-feira, outubro 03, 2005
CENAS DE UNS CASAMENTOS
Um dos grandes sucessos de bilheteira do Verão de 2005 nos EUA, "Os Fura-Casamentos" (The Wedding Crashers) é a mais recente comédia de David Dobkin ("Em Defesa de sua Majestade") e segue o percurso de dois amigos (interpretados por Owen Wilson e Vince Vaughn) cujo principal hobby é infiltrarem-se em casamentos na tentativa de desfrutarem das cerimónias de copo-de-água gratuitamente.
Entre as mais-valias desta actividade frequente encontram-se a oportunidade de se deleitarem com fartos banquetes e os contactos com as não menos aliciantes jovens convidadas que se encontram presentes e que cedem com facilidade às tentativas de sedução do duo (muitos por culpa das suas histórias mirabolantes e dos pequenos shows que encenam, tornando-se quase sempre no centro das atenções).
O que inicialmente parece ser mais uma comédia de humor duvidoso, entre o grotesco e o desbragado, na linha de muitos teen movies que se disseminaram como cogumelos no final dos anos 90, segue depois modelos mais próximos dos das comédias românticas, com a inevitável previsibilidade que isso acarreta.
De resto, esse convencionalismo acaba por marcar, na maioria das vezes, grande parte destas comédias mainstream norte-americanas, que mesmo quando tentam parecer irreverentes e ousadas acabam por se submeter a um moralismo forçado e formatado.
David Dobkin não chega a abusar da lamechice barata (embora esta esteja presente) nem recorre a muitos rodriguinhos melodramáticos, mas o seu trabalho também não vai além daquilo que se esperaria de um tarefeiro minimamente competente.
A realização é pouco inventiva, mas o ritmo possui alguma energia, e os desempenhos dos actores são eficazes, mesmo que não haja por aqui grandes personagens.
Owen Wilson e Vince Vaughn funcionam bem juntos, embora não saiam de esferas que já se tornaram na sua imagem de marca (Wilson contido e discreto, Vaughn histriónico e impulsivo), Christopher Walken expõe o seu carisma habitual e Rachel McAdams é uma supresa refrescante e graciosa, encarnando uma personagem que equilibra candura e inteligência (uma actriz a ter em conta e igualmente convincente noutros registos, como o thriller "Red Eye", de Wes Craven, pode comprovar).
Mesmo com um humor pouco rebuscado que raramente é hilariante, "Os Fura-Casamentos" consegue funcionar enquanto entretenimento light aceitável, desde que não se peça para ser mais do que isso (mas o filme também não pretende alcançar outros patamares). Ou seja, compensa em cenas divertidas q.b. aquilo que lhe falta em substrato cinematográfico, o que para uma película assumidamente efémera e descartável não é assim tão negativo...
domingo, outubro 02, 2005
31 SONGS
Anda por aí a circular pelo espaço virtual um desafio inspirado no livro "31 Songs", de Nick Hornby, cujo objectivo é apresentar as nossas 31 canções preferidas. É uma tarefa árdua, mas consegui realizá-la, e a única regra foi não repetir nenhum artista (porque senão colocava aqui álbuns completos dos Garbage, Depeche Mode, Smashing Pumpkins, Massive Attack, enfim...). And the winners are:
“#1 Crush”, Garbage
“Kelly Watch the Stars”, Air
“Ilusão/ Desilusão”, Da Weasel
“So Free (3 Acts)”, The Gift
“Search Me Not”, Silence 4
“Coisas”, Ornatos Violeta
“Be There”, UNKLE feat Ian Brown
“Move With Me”, Neneh Cherry
“Man Next Door”, Massive Attack
“Where is My Mind”, Pixies
“Blue American”, Placebo
“The River”, PJ Harvey
“De Azul em Azul”, Rádio Macau
“Metamorfose”, Mãozinha
“Blue Monday”, New Order
“Something I Can Never Have”, Nine Inch Nails
“Blindfold”, Morcheeba
“Violet”, Hole
“Appels & Oranges”, Smashing Pumpkins
“How to Disappear Completely”, Radiohead
“Fly”, Lamb
“I'm Doing Fine”, Day One
“Roses”, dEUS
“Never Let Me Down”, Depeche Mode
“Smells Like Teen Spirit”, Nirvana
“You Were the Last High”, Dandy Warhols
“I Deserve It”, Madonna
“All is Full of Love”, Bjork
“A Forest”, Cure
“Climbatize”, Prodigy
“Keep Your Dreams”, Primal Scream
Numa lista que não é seguramente definitiva, ficaram excluídas canções de muitos outros nomes - Gus Gus, Chemical Brothers, Curve, Franz Ferdinand, Blur, Sneaker Pimps, 12 Rounds, Postal Service, R.E.M., Flunk, Cardigans, Bran Van 3000, Portishead, Joy Division, Soul Coughing, Asian Dub Foundation, Ladytron, Muse, Luscious Jackson, Eels, Interpol, Elliot Smith, DJ Shadow, ... -, que também mereciam estar aqui mas ficarão para uma próxima oportunidade.
Estas são as minhas escolhas, quais as vossas?
CINE G&L
Realizado entre 15 e 21 de Setembro de 2005, o 9º Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa trouxe múltiplas obras cinematográficas inéditas - curtas e longas-metragens, assim como documentários - a salas da capital, apresentando títulos de várias origens geográficas e que exploram de forma diversificada a temática LGTB (e um ciclo especial dedicado à retrospectiva do catálogo New Age). Estive presente quase todos os dias através do Jornal Inside e abaixo constam as análises a alguns dos filmes que vi por lá:
"20 Centímetros", Ramón Salazar
"Carne Fresca, Procura-se", Anders Thomas Jensen
"City of Happiness", Michael Roes
"Comme un Frère", Bernard Alapetite/ Cyril Legann
"Garçon Stupide", Lionel Baier
"Hilde's Journey", Christof Vorster
"L'Ennemi Naturel", Pierre Erwan Guillaume
"O Verão de Victor Vargas", Peter Sollett
sexta-feira, setembro 30, 2005
COMBATES SEM MURROS NO ESTÔMAGO
Depois do sobrevalorizadíssimo biopic “Uma Mente Brilhante” e do quase ignorado western esotérico “Desaparecidas”, Ron Howard assinala o regresso à realização com “Cinderella Man”, a sua visão sobre a história verídica de Jim Braddock, pugilista que se tornou célebre durante a Grande Depressão.
Paradigma do self-made man e de figura abençoada pelo sonho americano, Braddock teve uma carreira conturbada e irregular, vincada por múltiplas derrotas que quase o obrigaram a abandonar definitivamente os ringues de boxe e a sujeitar-se a outra ocupação.
Contudo, quando ninguém esperava, o pugilista provou ser um lutador – literalmente – e o seu empenho e perícia contribuíram para que se tornasse num símbolo de heroísmo e persistência.
Baseando-se nestes factos, “Cinderella Man” tem reunidas as condições para ser mais um filme centrado no triunfo sobre a adversidade, e é precisamente isso em que acaba por se tornar, apresentando mais um concentrado de esperança, optimismo e obstinação habitual no cinema mainstream norte-americano (e descaradamente orientado para os Óscares).
Esse elemento não é necessariamente mau, mas quando o mentor do projecto é alguém como Ron Howard os resultados dificilmente seriam os mais criativos e ousados. De facto, a película só a espaços consegue afastar-se do esquematismo que domina tantas outras obras do género, e aqui sofre ainda mais dessa tipificação ao apostar nos clichés dos “filmes de boxe”. Ou seja, uma lógica linear onde o espectador sabe que a fase inicial, geralmente amargurada, logo conduzirá a um desenlace próspero e profícuo.
Howard segue essa via formatada, e se até o faz com alguma competência – o ambiente de época está bem recriado, a fotografia e a banda-sonora não comprometem, o elenco (onde constam Russell Crowe, Rennée Zellweger ou Paul Giamatti) cumpre -, não evita cair na previsibilidade, apresentando personagens planas, um trabalho de realização sem rasgos e um argumento que raramente surpreende.
O maior problema, no entanto, é o da narrativa desigual, pois se os primeiros momentos do filme ainda expõem alguma fluidez a última meia-hora, uma sucessão de combates carregados de intermináveis pontos supostamente climáticos (que apenas geram uma tensão forçada e até manipuladora), faz com que os momentos que antecedem o desenlace sejam bastante redundantes e enfadonhos, atirando decididamente o filme para a mediania.
“Cinderella Man”, não obstante uma ou outra cena mais conseguida, é um título que não se afasta muito das obras habituais de Howard: produtos suficientemente eficazes, politicamente correctos, inofensivos, sem considerável marca autoral e que pouco trazem de novo ao Cinema. A vantagem é que também dificilmente insultam – pelo menos de forma gritante – a inteligência do espectador, o que nos dias de hoje já é um factor a salientar.
E O VEREDICTO É: 2,5/5 - RAZOÁVEL
quinta-feira, setembro 29, 2005
O MEU CHOURIÇO É MELHOR QUE O TEU!
Pois é, o país está animado com a sempre entusiasmante fase de campanha eleitoral. Mas o que seria de uma campanha sem um cartaz à altura, sobretudo nos dias de hoje onde a imagem parece sobrepôr-se a tudo o resto?
Alguns dos cartazes mais... errr... "peculiares" podem ser encontrados aqui, e os três próximos visitantes do site ganham um chouriço caseiro (calma, esta parte do prémio era só um teste, mas digam lá se não é um isco apelativo?).
O DESPERTAR DAS MEMÓRIAS
Estreia de Omar Naïm na realização, “The Final Cut – A Última Memória” desenrola-se numa sociedade futurista marcada por novas descobertas tecnológicas, sendo uma delas um chip que é instalado no cérebro à nascença e que regista todos os momentos da vida de um ser humano, gravando as suas memórias. Estas recordações digitalizadas serão a base para a criação de vídeos após a morte daqueles que tiveram o chip incorporado, vídeos esses que são editados por especialistas e exibidos nos funerais.
Esta ideia daria para gerar um filme entusiasmante, pois fornece material suficiente para discutir questões éticas relacionadas com o direito à privacidade ou com a morte, mas o “The Final Cut – A Última Memória” não assenta tanto neste conceito e envereda antes por territórios do thriller, explorados de forma rotineira e pouco imaginativa, desperdiçando assim o considerável potencial da sua premissa.
Para além de um bom ponto de partida, a película de Omar Naïm conta também com actores talentosos, mas também estes são subaproveitados. Robin Williams, o protagonista, não é especialmente interessante no papel de um solitário editor de memórias que descobre uma marcante imagem ligada ao seu passado (a milhas da ambiguidade e complexidade da sua interpretação em “Câmara Indiscreta”, de Mark Romanek); Mira Sorvino tem uma presença demasiado discreta e uma personagem fraca para defender; e Jim Caviezel oferece um desempenho competente mas o argumento não o deixa fazer mais.
Assim, “The Final Cut – A Última Memória” está longe de ser uma primeira obra promissora, uma vez que Naïm não consegue proporcionar uma narrativa coesa e intrigante que poderia ter tornado este projecto num grande filme, tendo em conta que aborda o tema da memória, capaz de originar resultados absorventes (como “O Despertar da Mente”, de Michel Gondry; “Memento”, de Chris Nolan; ou “Pago Para Esquecer”, de John Woo, por exemplo).
O que resta é uma película insípida e monótona, incapaz de surpreender e desprovida de qualquer tensão dramática, que se vê sem esforço mas que dificilmente gerará boas memórias...
E O VEREDICTO É: 1,5/5 - DISPENSÁVEL




















